O Fundecitrus realizou, no dia 19 de novembro, um seminário internacional dedicado ao greening (HLB), reunindo cerca de 150 participantes na sede da instituição. O evento contou com especialistas da China e do Brasil para discutir avanços científicos, soluções inovadoras e possibilidades de colaboração no enfrentamento da principal ameaça à citricultura mundial.
Os pesquisadores chineses Xuefeng Wang, da Southwest University – Citrus Research Institute, e Jian Ye, da Chinese Academy of Sciences, participaram do seminário e também cumpriram uma agenda de três dias no Fundecitrus para conhecer a estrutura, laboratórios e programas de pesquisa. Para Wang, que visitou o Brasil pela primeira vez, a experiência foi marcante: “A oportunidade de conhecer o Fundecitrus e a citricultura brasileira me deixou uma ótima impressão”. Ele destacou ainda o interesse em construir uma parceria sólida na área de edição genômica, mencionando que seu grupo já identificou genes promissores que podem contribuir para o desenvolvimento de plantas resistentes ao greening.
Jian Ye, especialista em resistência ao greening, ressaltou a relevância da união entre os dois países. Segundo ele, China e Brasil, embora com mercados distintos, enfrentam o mesmo desafio. “Nos últimos 100 anos, não houve um método realmente eficaz para controlar a doença”, afirmou.
Durante sua apresentação, explicou que seu grupo de trabalho descobriu mecanismos naturais de resistência ao greening e desenvolveu um peptídeo capaz de proteger as plantas da infecção. O pesquisador enfatizou que testar esse composto no Brasil, em parceria com o Fundecitrus, representa “uma grande oportunidade para avançar juntos na busca por soluções concretas”.
A programação contou também com a participação do Dr. Francisco Aragão, pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e responsável pelo Laboratório de Engenharia Genética Aplicada à Agricultura Tropical. Especialista em aplicações biotecnológicas para o melhoramento de culturas, Aragão trouxe uma visão abrangente dos avanços e das perspectivas no campo da engenharia genética. “Este evento é extremamente importante para a troca de conhecimentos e de informações essenciais sobre um problema sério que afeta a citricultura brasileira e mundial”, reforçando que somente a colaboração internacional permitirá respostas rápidas e eficientes.
O pesquisador do Fundecitrus Renato Bassanezi apresentou um panorama da evolução recente do greening no estado de São Paulo e destacou os efeitos das estratégias adotadas no campo. Ele explicou que nos últimos dois anos foi possível desacelerar o aumento da incidência da doença graças ao avanço no controle do psilídeo, à redução do intervalo entre aplicações e ao manejo integrado entre propriedades. “Essas ações resultaram em menor população do vetor e em melhorias na eliminação de plantas doentes”, explicou. Bassanezi também apontou a importância de novos plantios serem direcionados a regiões com menor pressão da doença, o que tem contribuído para resultados mais eficientes.
Ao projetar cenários futuros, Bassanezi ressaltou que a severidade da doença ainda cresce, impactando queda de frutos e produtividade, mas que o médio prazo tende a uma estabilização. “Com novas tecnologias, como peptídeos e ferramentas de biotecnologia, será possível recuperar áreas tradicionais e reduzir a severidade”, avaliou. Ele reforçou que o sucesso depende da integração de medidas dentro e fora das propriedades, especialmente no controle regional do vetor e na eliminação de plantas doentes.
O seminário encerrou-se com a certeza de que o compartilhamento de informações e o fortalecimento das parcerias científicas são caminhos essenciais para enfrentar o greening.






