O profundo pesar na comunicação do falecimento de Garcia nesta terça-feira (7/7) não é mera retórica de obituário, linguagem pro forma. É profundo de verdade. O lastro é a gratidão a quem, tanto quanto pensar longe, liderou grandes realizações com ousadia e sabedoria inigualáveis.
Garcia exerceu papel decisivo na consolidação de uma nova visão estratégica para o Fundecitrus, baseada na geração e disseminação do conhecimento científico como principal instrumento de defesa da citricultura. Uma mudança conceitual que seria decisiva para o enfrentamento do greening, identificado dez anos depois que ele assumiu a presidência, contribuindo diretamente para a manutenção da competitividade da atividade.
Durante sua gestão, de 1994 a 2004, foi criado o Departamento Científico, teve início a colaboração com o pesquisador francês Joseph Marie Bové, e o Fundecitrus passou a antecipar desafios fitossanitários, investindo em pesquisa, prevenção e inovação. Esse trabalho, que incluiu a consolidação de parcerias com centros de pesquisa e desenvolvimento do Brasil e de outros países, lançou as bases para que a instituição conquistasse reconhecimento internacional e se tornasse uma das principais referências mundiais em ciência e sustentabilidade para a citricultura.
Em 2000, no momento mais simbólico dessa transformação de instituição de defesa em instituição de fomento ao conhecimento e desenvolvimento de inovação e tecnologia, a parceria entre Fapesp e Fundecitrus resultou no sequenciamento da Xylella fastidiosa, a primeira decodificação do genoma de um fitopatógeno do mundo, inserindo não a citricultura, mas o Brasil, na vanguarda da ciência internacional.
O Fundecitrus manifesta solidariedade aos familiares e amigos de Ademerval Garcia e presta homenagem à sua visão, liderança e contribuição para a história da instituição e da citricultura brasileira. Seu legado permanece vivo na ciência produzida, no conhecimento compartilhado e nos avanços que continuam fortalecendo o setor.






