Morte súbita dos citros
 

Morte súbita dos citros - MSC
 
  Sem causa ainda confirmada, a MSC é uma doença de combinação copa/porta enxerto, que manifesta os sintomas na região da enxertia em plantas sobre porta-enxertos intolerantes. Suspeita-se que seja causada por um vírus transmitido de forma bastante eficiente por um vetor aéreo. planta com MSC
Planta com MSC
Representa uma ameaça potencial para a citricultura paulista e nacional, uma vez que, afeta todas as variedades comerciais de laranja doce e tangerinas Cravo e Ponkan enxertadas sobre o limão Cravo (cerca de 85% dos pomares paulistas e mineiros estão em cima de cavalos de limão Cravo).
Combinações de laranja doce sobre limão Volkameriano, apresentaram sintomas de MSC na copa, nas raízes e na parte interna da copa. A hipótese é que a doença tenha comportamento diferente no Volkameriano com um tempo maior de incubação e grau de severidade menor.
Pesquisas mostram que os vasos do floema, que levam os produtos gerados na fotossíntese para toda a planta, inclusive a raiz, ficam bloqueados. Sem alimento, a árvore definha e pode morrer.
A morte súbita dos citros provoca diminuição no tamanho, peso e quantidade de frutos. Eles podem ser transportados e consumidos sem nenhum problema, pois não oferecem risco à saúde.


Ocorrência
Identificada em 2001, no município de Comendador Gomes (MG), tem se disseminado por municípios do sul do Triângulo Mineiro e Norte e Noroeste do Estado de São Paulo.


Sintomas
O primeiro sintoma observado é a perda generalizada do brilho das folhas, apresentando um aspecto pálido. Geralmente, ocorre perda de turgidez, acompanhado de desfolha parcial. Em estágio mais avançado ocorre a desfolha total.
Raízes e radicelas apodrecem. Isso acontece porque os vasos do floema, que transportam os produtos da fotossíntese para toda a planta, ficam bloqueados. Pode acontecer antes de aparecerem os sintomas na copa.
sintomas em folhas sintomas de MSC sintomas em raízes
Ramo sadio ao lado de ramo com MSC Planta sadia ao lado de planta com MSC Apodrecimento de raízes e
ausência de radicelas
  O sintoma característico da doença, que permite o seu diagnóstico, é a cor amarela, tendendo para o alaranjado, que aparece na parte interna da casca do porta-enxerto, abaixo da zona de enxertia. sintomas em porta-enxerto
Amarelecimento interno da casca do porta enxerto na região abaixo da enxertia
Este sintoma pode ser visível ao se retirar a casca ou ao raspar as camadas internas.
Outros sintomas podem ou não ocorrer, como seca de ponteiros, falta de brotações e morte repentina da planta com os frutos ainda aderidos.
seca dos ponteiros desfolha colapso da planta
Seca dos ponteiros Desfolha e murcha das folhas Colapso da planta e
retenção dos frutos
O tempo entre o aparecimento dos primeiros sintomas e a morte da planta é bastante variável em função da idade da planta, da época do ano e da condição de carga de frutos. Esse tempo pode ser de poucas semanas em plantas com bastante copa e grande carga de frutos, no início do período chuvoso, até vários meses ou alguns anos, em plantas pouco enfolhadas e pouco carregadas.
O aumento do número de plantas com sintomas é bastante rápido durante o ano. Após a constatação das primeiras árvores com sintomas, a doença pode atingir de 30 a 99% dos pés de laranja do talhão em menos de dois anos. Normalmente, a velocidade de aparecimento de novas plantas com sintomas é maior a partir do início da estação chuvosa e é reduzida no período de outono.

  Diferenças
Conheça os sintomas que ajudam a diferenciar gomose e declínio da MSC:
Declínio
Pode ser diferenciado por apresentar pouca podridão de raízes e não ter amarelecimento da parte interna da casca do porta-enxerto.
sintoma de declínio
Declínio - brotações interna na copa
A planta com declínio apresenta muitas brotações internas na copa. Ao contrário da MSC, o declínio não mata a planta rapidamente.
 
Gomose
A característica típica da gomose é a presença de lesão no tronco ao nível do solo, o que não acontece na MSC.
sintoma de gomose
Lesão de Gomose no tronco
Outra diferença é quando se retira a casca, do outro lado do tronco, bem distante da lesão da gomose, a parte interna não será amarela.


Controle
Envolve alguns riscos fazer afirmações para o controle ou a prevenção de uma doença, cuja causa, ainda não está cientificamente comprovada. As recomendações são baseadas no que foi observado até agora durante pesquisas realizadas desde o aparecimento da MSC.
A medida mais importante, é não transportar mudas, borbulhas e cavalinhos das regiões contaminadas para aquelas onde a doença ainda não foi constatada. Este é um esforço para retardar a disseminação e já é lei no Estado de São Paulo;
Nas áreas afetadas, recomenda-se a subenxertia com porta-enxertos tolerantes - de tangerina Cleópatra, Sunki ou citrumelo Swingle - em árvores sobre limão Cravo. O subenxerto deve ser feito o mais cedo possível;
Produzir e plantar mudas em diferentes porta-enxertos tolerantes;
Notificar o Fundecitrus sobre qualquer sintoma suspeito dentro da propriedade e ficar atento às inspeções do pomar.

  Subenxertia
Esta técnica substitui o porta-enxerto e cria novas raízes para alimentar a planta doente. planta subenxertada
A escolha da variedade de porta-enxerto deve ser baseada na localização da propriedade, na capacidade de irrigação, na variedade em que será feita a subenxertia, na ocorrência de outras doenças, como gomose, declínio e CVC, e na disponibilidade do porta-enxerto.
Sistema radicular de planta subenxertada.
As raízes são provenientes dos cavalinhos novos e da recuperação do limoeiro Cravo.

  Quando fazer
Alguns citricultores que têm propriedades em regiões não-afetadas já estão adotando a medida, como prevenção. Em pomares contaminados, mesmo árvores doentes podem ser recuperadas desde que não estejam com sintomas avançados.
Idade
A subenxertia vale a pena em pomares com menos de 10 anos e boas condições sanitárias. Quanto mais nova a planta, maior é o efeito da subenxertia.
Época
O melhor período é nas chuvas, entre os meses de setembro e março.
Porta-enxertos
Em plantas com mais de 2 anos deve-se usar, no mínimo, dois cavalinhos. Com menos de dois anos, um porta-enxerto é suficiente.
Irrigação
Atualmente, todos porta-enxertos tolerantes à MSC são sensíveis ao déficit hídrico e, portanto, necessitam de irrigação para produzir bem nas regiões Norte e Noroeste do Estado de São Paulo.
É bom lembrar que, excetuando as disposições legais já em vigor, a decisão em seguir as recomendações é do produtor.

  Subenxertia - passo-a-passo:
subenxertia - cova subenxertia - plantio subenxertia - cavalinhos
1 - Faça covas a 10 cm do tronco 2 - Plante os cavalinhos 3 - Os cavalinhos devem ser
maduros e ter 45 cm
subenxertia - corte no porta-enxerto original subenxertia - corte no cavalinho subenxertia - inserção do cavalinho
4 - A 5 cm acima da enxertia original faça corte em T invertido (5 x 3 cm) 5 - Faça corte em bisel
(2 cm) no cavalinho
6 - Levante com cuidado um lado
da casca e coloque a ponta do
cavalinho dentro do corte
subenxertia - proteçao   subenxertia - irrigação
7 - Proteja com fita plástica para
enxertia (ráfia) por 30 dias
       8 - Regue bem


Pesquisas
O Fundecitrus e mais 12 instituições de pesquisa brasileiras e estrangeiras estão desenvolvendo diversas frentes de pesquisa para descobrir as causas da doença, as formas de disseminação e medidas de controle. São mais de 30 pesquisadores empenhados na investigações no campo e em laboratório.


Porta-enxerto
Tolerância e Resistência
  Porta-enxerto Resistência Tolerância
Seca Gomose Nematóide Declínio Tristeza MSC
Limoeiro Cravo R MR S I T I
Limoeiro Volkameriano R MR S I T I
Tangerina Cleópatra MR MR S T T T
Tangerina Sunki MR MR S T T T
Poncirus trifoliata S R R I T T
Citrumelo Swingle MR R R T T T
   Legenda:
   R - Resistente / MR - Medianamente resistente / S - Suscetível / T - Tolerante /  I - Intolerante
Combinações com a copa e características
  Incompatibilidade Início da
produção
Maturação
de frutos
Qualidade
dos frutos
Tamanho
da planta
Sem Precoce Precoce Regular Médio
Pêra Precoce Precoce Regular Médio
Sem Médio Tardia Boa Alto
Sem Médio Tardia Boa Alto
Pêra, Murcott, Siciliano Precoce Tardia Ótima Baixo
Pêra, Murcott, Siciliano Precoce Tardia Boa Alto

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