Morte súbita dos citros
 

Greening
 
 
 
Também chamado de huanglongbing (HBL), o greening, é uma doença de difícil controle. Provavelmente é originário da China, e hoje afeta seriamente a produção de citros na Ásia e na África. planta com greening

O agente causal é uma bactéria com crescimento limitado ao floema (vasos que distribuem a seiva elaborada), chamada provisoriamente Candidatus Liberibacter spp. Antes da constatação no Brasil, existiam duas formas de bactérias causadoras do greening: Candidatus Liberibacter africanus, associado à forma africana da doença, e Candidatus Liberibacter asiaticus associada à forma asiática.

Propõe-se que a nova forma de greening seja chamada de forma americana e seja atribuída à bactéria Candidatus Liberibacter americanus. A transmissão das formas africana e asiática ocorre por vetores, que são duas espécies de psilídeos: Trioza erytreae, que ocorre na África; e Diaphorina citri, que é encontrada na Ásia, África e também nas Américas.

Não existe nenhuma variedade de copa ou porta-enxerto resistente à doença.
Veja abaixo mais informações sobre o greening, como histórico, agente causal, sintomas, transmissão, controle e localização. Em caso de suspeita ou dúvidas, procure o Fundecitrus ou a Casa da Agricultura de seu município.


Histórico
A primeira observação do greening nos pomares brasileiros foi em março de 2004, quando alguns citricultores relataram ao Fundecitrus a manifestação de sintomas por eles desconhecidos, em várias plantas de pomares em municípios diferentes. Um grupo de pesquisadores brasileiros e franceses iniciou os estudos para a identificação da doença.


Agente causal
As pesquisas apontam que existem duas formas de greening nos pomares paulistas. A conclusão é baseada nos resultados dos testes realizados pelo Centro APTA Citros "Sylvio Moreira" do IAC, e pelo Fundecitrus, em colaboração com o INRA, da França. As instituições detectaram bactérias distintas nas amostras.
Os pesquisadores do Fundecitrus e do INRA descobriram nas plantas doentes uma bactéria diferente das causadoras das formas asiática e africana do greening, mas que tem mais de 93% de similaridade com essas duas formas conhecidas. A nova bactéria foi batizada de Candidatus Liberibacter americanus. Já o Centro APTA Citros "Sylvio Moreira" constatou em plantas doentes a presença da bactéria Candidatus Liberibacter asiaticus, agente causal da forma asiática do greening.
Reforçando os resultados, a Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq/USP) detectou dentro do floema de planta doentes bactérias sem forma definida, característica das bactérias do grupo das causadoras do greening.
agente causal agente causal Resultados: A Esalq detectou bactérias sem forma definida dentro do floema de plantas doentes, características das bactérias do grupo das causadoras do greening.
Foto: Elliot W. Kitajima Foto: Francisco A. O. Tanaka


Sintomas
Ramos e folhas
O sintoma inicial geralmente aparece em um ramo ou galho, que se destaca pela cor amarela em contraste com a coloração verde das folhas dos ramos não afetados. As folhas apresentam coloração amarela pálida, com áreas de cor verde, formando manchas irregulares (mosqueadas).
Também é comum a ocorrência de sintomas semelhantes a deficiência de zinco, cálcio e nitrogênio nas folhas dos ramos afetados. Em alguns casos observa-se o engrossamento e clareamento das nervuras da folha, que ficam com aspecto corticoso. Com a evolução da doença, há intensa desfolha dos ramos afetados e os sintomas começam a aparecer em outros ramos da planta, tomando toda a copa, inclusive com o surgimento de seca e morte de ponteiros.
planta com greening planta com greening planta com greening
O sintoma inicial é um ramo amarelo que se destaca na planta doente.
A folhas de ramos afetados ficam amareladase apresentam manchas.
muda com greening sintomas em folhas sintomas em folhas

Frutos
O fruto fica deformado e assimétrico. Cortando-se um fruto afetado no sentido longitudinal, é possível verificar internamente filetes alaranjados que partem da região de inserção com o pedúnculo (haste que segura o fruto). A parte branca da casca, em alguns casos, apresenta um espessura maior que o normal.
Também ocorre redução no tamanho dos frutos e intensa queda. É comum a ocorrência de sementes abordadas. O fruto pode apresentar internamente diferença de maturação nas diferentes partes, ou seja, ter um dos lados maduro (amarelo) e o outro ainda verde.
Na casca podem aparecer pequenas manchas circulares verde-claras que contrastam com o verde normal do fruto.
sintomas em fruto   sintomas em fruto
Frutos ficam assimétrico e na inserção com o pedúnculo surgem filetes alaranjados.
Na casca, há manchas circulares verde-claras.
sintomas em fruto   sintomas em fruto


Transmissão
  Os pesquisadores acreditam que no Estado de São Paulo a doença seja transmitida por um vetor Diaphorina citri, um pequeno inseto que mede de 3 a 4 mm e que é comum nos pomares brasileiro e na planta ornamental conhecida como falsa murta (Murraya paniculata). vetor
Diaphorina citri
A hipótese é baseada no que ocorre com o greening nos países asiáticos, região em que a doença é transmitida pelo mesmo inseto. A transmissão pode ocorre por borbulhas contaminadas. Mudas contaminadas também dissemina a doença.


Controle
As pesquisas ainda estão no início, mas já é possível fazer algumas recomendações de controle, embora não se saiba como será o comportamento da nova doença no Brasil. As recomendações são baseadas nas duas formas de greening - asiática e africana - conhecidas em outros países.
As indicações se baseiam em três medidas de controle:
O primeiro passo é adquirir mudas sadias, produzidas em viveiros protegidos, que seguem a legislação fitossanitária;
Eliminar as plantas doentes assim que apresentem os primeiros sintomas, para que não sirvam de fonte de contaminação para outras plantas da mesma propriedade e dos vizinhos;
Fazer o controle químico do vetor com a aplicação de inseticidas.


Localização
Já foi possível comprovar que o greening está presente nos seguintes municípios em São Paulo e Minas Gerais (resultado confirmado por meio de PCR):
Aguaí, Agudos, Américo Brasiliense, Amparo, Analândia, Anhembi, Araraquara, Araras, Artur Nogueira, Avaré, Bariri, Bauru, Boa Esperança do Sul, Bocaina, Bofete, Borborema, Botucatu, Brotas, Cafelândia, Cajuru, Capela do Alto, Casa Branca, Cesário Lange, Conchal, Cordeirópolis, Corumbataí, Cravinhos, Descalvado, Dourado, Engenheiro Coelho, Espírito Santo do Pinhal, Gavião Peixoto, Guarapiranga (distrito), Iacanga, Ibaté, Ibitinga, Iracemápolis, Itaju, Itapetininga, Itápolis, Itatinga, Itirapina, Jaboticabal, Leme, Limeira, Luiz Antônio, Lupércio, Matão, Mococa, Mogi Guaçu, Mogi Mirim, Monte Alto, Monte Santo de Minas (MG), Motuca, Nova Europa, Paranapanema, Pederneiras, Piracicaba, Pirajuí, Pirangi, Pirassununga, Pitangueiras, Porto Ferreira, Reginópolis, Ribeirão Bonito, Rincão, Rio Claro, Santa Cruz da Conceição, Santa Cruz das Palmeiras, Santa Cruz do Rio Pardo, Santa Ernestina, Santa Lúcia, Santa Rita do Passa Quatro, Santa Rosa do Viterbo, São Carlos, São João da Boa Vista, São Manuel, São Simão, Tabatinga, Taiaçu, Taiúva, Tambaú, Taquaral, Taquaritinga, Tatuí e Uru.
 

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