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| Ocorrência | |
| A bactéria causadora dessa doença foi introduzida no Brasil em 1957 na região de Presidente Prudente (SP). Ela é de fácil disseminação e um de seus vetores é o próprio homem. Altamente contagiosa, ela é resistente e consegue sobreviver em vários ambientes por vários meses. Em folhas, ramos e frutos com sintomas, a sobrevivência da bactéria pode durar vários anos. | |
| Variedades e espécies mais resistentes (em ordem descrescente) | |||
| 1. Poncan | 6. Laranja Natal | 10. Laranja Baianinha | |
| 2. Mexerica do Rio | 7. Tangor Murcote | 11. Limão Siciliano | |
| 3. Limão Taiti | 8. Limão Cravo | 12. Limão Galego | |
| 4. Laranja Pêra | 9. Laranja Hamlin | 13. Pomelo | |
| 5. Laranja Valência | |||
| É bom lembrar que nenhuma variedade é imune ao cancro cítrico | |||
| Sintomas | |
| As lesões provocadas pelo cancro cítrico são salientes, o que não ocorre na maioria das outras doenças e pragas. Os primeiros sintomas aparecem nas folhas, e é nestas que encontram-se em maior quantidade, em comparação com a presença de sintomas em frutos e ramos. | |
| Folhas - O primeiro sintoma visível é o aparecimento de pequenas lesões salientes, que surgem nos dois lados das folhas, sem deformá-las. As lesões aparecem na cor amarela e logo se tornam marrons. É a única doença conhecida com lesões salientes que aparecem dos dois lados da folha. | |||
| Quando a doença está em estágio mais avançado, as lesões nas folhas ficam corticosas, com centro marrom e um anel amarelado em volta. | |||
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| Folha com pequenas lesões salientes, sintomas iniciais do cancro cítrico | Folhas com lesões circundadas por anel amarelado |
Detalhe das lesões corticosas nas duas faces das folhas |
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| Frutos - A doença se manifesta pelo surgimento de pequenas manchas amarelas, com um ponto marrom no centro, que aos poucos vão crescendo e podem ocupar grande parte da casca do fruto. As manchas são salientes, mais superficiais, parecidas com verrugas, de cor marrom no centro. Em estágio avançado, as lesões provocam o rompimento da casca. | |||
| Diferentemente do que ocorre com as lesões de verrugose, as lesões de cancro cítrico não se destacam facilmente da casca de frutos doentes e esta é uma das maneiras de diferenciar as duas doenças quando em frutos. | |||
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| Lesões causadas pelo cancro cítrico em frutos |
Detalhe das lesões: manchas marrons salientes |
Lesões vão se aglutinando e podem causar o rompimento da casca | |
| Ramos - As lesões também são salientes, na forma de crostas de cor parda. | |||
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| Sintomas do cancro cítrico em ramos |
Detalhe das lesões
salientes e de cor parta em ramos |
Detalhe das lesões (crostas) em ramos |
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| Como a bactéria se dissemina | |
| A bactéria causadora do cancro se espalha de forma muito fácil, e um dos maiores agentes dessa disseminação é o homem, por meio do trânsito indiscriminado de pessoas pelos pomares, materiais de colheita, veículos, mudas e outros materiais cítricos contaminados. | |
| Folhas, ramos e frutos jovens são mais facilmente contaminados pela doença. Para que a bactéria penetre em folhas, frutos e ramos mais velhos e provoque os sintomas da doença, é preciso haver ferimentos, causados normalmente por material de colheita (escadas, sacolas), veículos que podem trazer a bactéria ou provocar ferimentos, pelo vento e, principalmente, pelo minador dos citros. | |
| A bactéria do cancro cítrico pode sobreviver por vários anos em material vegetal cítrico contaminado destacado da planta. Em outros materiais, como metal, plástico, madeira e tecido, a sobrevivência da bactéria é mais curta, geralmente de dias a semanas. |
| Disseminação no pomar | ||
O principal responsável pela disseminação da doença é o próprio homem, que leva as bactérias de um lugar para outro nos materiais de colheita, em veículos, máquinas e implementos, ou mesmo por meio do transporte de folhas, ramos e frutos. |
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A bactéria também pode ser levada pelo vento, quando associado com chuvas, caracterizando uma disseminação de curta distância, ou seja, dentro do próprio pomar, ou mesmo de médias a longas distâncias, entre pomares e propriedades vizinhas. |
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As mudas contaminadas também contribuem para disseminar o cancro cítrico, levando a bactéria de uma propriedade para outra, ou para regiões distantes. |
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| Constitue-se na principal forma de disseminação da doença a longas distâncias (kilômetros) e por meio de mudas e materiais cítricos contaminados a doença pode atingir cidades, estados e países até então livres da doença. | ||
| O citricultor precisa dobrar a vigilância na época da colheita, quando aumenta o trânsito de equipamentos, veículos e frutos por todo o estado. | ||
| Veja como o cancro cítrico se espalha no pomar | |||
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| A bactéria se espalha rapidamente no pomar: em uma a duas semanas depois da primeira lesão ter surgido, formam-se 1.000.000 de bactérias que, após a disseminação, podem formar 10 lesões com 10.000.000 de bactérias. Em mais duas semanas, já serão cerca de 100 lesões com 100.000.000 de bactérias e assim por diante. | |||
| Como a doença se distribui no pomar | |
| A distribuição do cancro cítrico, dentro de um pomar ocorre entre folhas, frutos e ramos de uma mesma planta doente e também entre plantas, vizinhas ou não. Geralmente, quando em baixas contaminações (quantidade de plantas doentes), as plantas com sintomas encontram-se próximas umas das outras. Com o passar do tempo a doenças atinge novas plantas, mais distantes das plantas inicialmente contaminadas, e pode se disseminar por todo o pomar. | |
| O tempo necessário para o avanço da doença no pomar e a contaminação de várias plantas, distantes das inicialmente contaminadas, depende da variedade/espécie cítrica, idade e condição do pomar, ocorrência de chuvas com ventos, trânsito de pessoas, da adoção de medidas de controle (prevenção) da doença, entre outros fatores. Quando as condições são favoráveis para a disseminação da doença o número de plantas contaminadas pode ser altíssimo em poucos meses (numa mesma estação de chuvas, por exemplo), mesmo quando inicialmente existia apenas uma planta doente. | |
| Com a introdução do minador no Brasil, em 1996, ocorreu uma mudança no padrão de disseminação do cancro cítrico e a metodologia de erradicação até então adotada passou a não ser mais eficaz no controle da doença. | |
| Por esse motivo é que foi mudada a metodologia da erradicação. |
| Veja como ocorre a distribuição dentro de um talhão | |||
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| 1. Talhão no início da contaminação | 2. Propagação adiantada | 3. Contaminação fora de controle | |
| O natural aumento da movimentação no pomar durante a colheita exige uma vigilância redobrada. Só permita que circulem no pomar pessoas e veículos que passaram pelas medidas preventivas de desinfestação. | |
Todos os veículos que entrarem na propriedade, sejam caminhões ou ônibus de trabalhadores, devem ser desinfestados. Isso pode ser feito pelo arco-rodolúvio, ou por meio de pulverizador, aplicando amônia quaternária. |
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Veículos que venham de outras propriedades, antes de passar pelo arco-rodolúvio ou pela pulverização, devem ser limpos: restos de colheita ou material vegetal (galhos, folhas ou frutos) devem ser coletados e queimados. Lembre-se que a bactéria do cancro cítrico sobrevive por anos em material cítrico. |
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Caminhões circulando no pomar podem ser transmissores da bactéria do cancro e também podem ferir as plantas, o que facilita a penetração da bactéria. Procure construir bins nos limites da propriedade. Eles podem ser de barranco, metálicos ou móveis. |
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| Uso de arco rodolúvio na entrada da propriedade |
Limpeza de restos de colheita, que devem ser queimados |
Uso de bins para evitar o trânsito de caminhões no pomar |
| Controle | |
| Como não existe método curativo para a doença, a única forma de eliminar o cancro cítrico é por erradicação do material contaminado. Por essa razão o citricultor deve estar atento às medidas de prevenção e não esquecer da inspeção rotineira. | |
| Métodos de contenção da disseminaçao da doença usados anteriormente, como a poda drástica e a desfolha química foram suspensos pois não estavam sendo eficazes na eliminação da bactéria. Essa decisão foi tomada na Campanha Nacional de Erradicação do Cancro Cítrico (CANECC) e vai vigorar por tempo indeterminado. | |
| No entanto, só a erradicação das árvores contaminadas não garante a eliminação da bactéria causadora do cancro cítrico. Também é importante eliminar as rebrotas que surgem na área onde foi realizada a erradicação e queima das árvores. Essas rebrotas podem estar contaminadas pelo cancro cítrico. | |
| Todo o material (como enxadas), máquinas e implementos (trator e grade) usados na eliminação das rebrotas devem ser pulverizados com bactericida. | |
| A área (talhão) onde o foco da doença foi encontrado fica temporariamente interditada. Os demais talhões podem ser comercializados, depois de inspecionados. Não é permitido o replantio de citros por um período de dois anos, nas áreas que tiveram plantas erradicadas por causa da doença. |
| A solução está na prevenção | |
| A bactéria pode se espalhar rapidamente por toda a propriedade e vizinhos, portanto, para evitar grandes prejuízos o produtor deve adotar todas medidas de prevenção. | |
O maior meio de disseminação do cancro cítrico, principalmente a longas distância, está nas mudas, por isso, o primeiro cuidado preventivo deve ser em relação a elas. Quando for comprar mudas, conheça antes o viveiro e veja se ele cumpre as recomendações da Secretaria da Agricultura. Exija certificado de procedência de todo o material de propagação. O Fundecitrus inspeciona, a cada dois meses, todos os viveiros; em caso de dúvidas sobre o viveiro, procure o Fundecitrus. |
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Prefira usar seu próprio material de colheita: escadas, caixas, sacolas e sacos-caixa. Se tiver que usar material vindo de fora, faça antes a desinfestação: mergulhe o material em uma solução de 1 litro de amônia quaternária em mil litros de água, e pulverize muito bem as escadas com essa solução. Mergulhar caixas e sacolas na solução é melhor do que apenas pulverizá-las. |
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O plantio de árvores de grande porte nas fronteiras diminui a ação do vento e da poeira sobre o pomar e dificulta a entrada ou disseminação da bactéria e outras pragas e doenças. Os quebra-ventos protegem uma distância de oito a dez vezes maior que sua altura. |
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| Mudas certificadas produzidas sob viveiro telado |
Desinfestação de material de colheita em solução de amônia quaternária | O uso de quebra-ventos pode dificultar a entrada ou disseminação do cancro | |
Cerque a sua propriedade, de preferência com cerca-viva (sansão do campo, jambolão), para evitar a entrada de pessoas estranhas, veículos ou animais. |
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O minador provoca ferimentos que servem de porta de entrada para a bactéria do cancro cítrico. |
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Quanto mais cedo o cancro cítrico for descoberto, menor será o prejuízo para o citricultor e seus vizinhos. Por esse motivo, não deixe de fazer inspeções rotineiras em seu pomar. |
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| Uso de cerca-viva para evitar a entrada de intrusos no pomar |
Controle do minador dos citros | Inspeções de rotina | |
Para que as pessoas que trabalham em sua propriedade possam colaborar na prevenção do cancro cítrico, é preciso que elas sejam treinadas para reconhecer os sintomas. Organize palestras sobre cancro cítrico. Use o programa do Fundecitrus que oferece treinamento na propriedade, esclarecendo inspetores, colhedores, tratoristas e outras pessoas que trabalhem na propriedade. |
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| Se não for possível oferecer uniforme a todos os trabalhadores, peça-lhes que só entrem na propriedade com roupas limpas, que lavem as mãos com bactericidas, e façam também a desinfestação dos calçados antes de entrar no pomar. | |
Ao menor sinal da doença acione o Fundecitrus, mesmo que seja apenas uma desconfiança. Material sob suspeita não deve, em hipótese alguma, ser retirado do local. |
| Inspeção | |
| Evite maiores prejuízos realizando inspeções rotineiras em seu pomar. | |
| Inspecionar o pomar rotineiramente é uma das medidas mais importantes para prevenir o cancro cítrico: a descoberta de um foco, logo no início, reduz os prejuízos da erradicação. Fique mais atento quando começarem a surgir os brotos, as partes da planta mais vulneráveis ao ataque da bactéria e do minador dos citros. | |
| Todas as ruas do pomar devem ser inspecionadas. | |
| Os inspetores devem ser orientados antes do trabalho. | |
| A vistoria deve ser feita de cinco em cinco plantas -- inspeciona uma e pula quatro (inspeção a 20%) ou em todas as plantas (inspeção a 100%). Mas lembre-se: essas quatro árvores também devem ser observadas (veja a imagem abaixo). | |
| Compare os sintomas da planta com os que estão no cartão de identificação da doença (que pode ser solicitado ao Fundecitrus ou obtido em um dos seus Centros de Apoio). | ![]() Inspeção a 100% |
![]() Inspeção a 20% |
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| O rendimento na inspeção vai depender do tamanho das árvores. É muito importante que toda a planta seja bem observada. | |||
| Mesmo em caso de dúvida avise ao Fundecitrus. | |||
| A inspeção é fundamental, mas não deve ser a única medida adotada pelo produtor. O ideal é que seja acompanhada das outras medidas preventivas citadas anteriormente. |
| Faça a primeira inspeção de uma semana a, no máximo, um mês antes da colheita, e durante a safra intensifique a vistoria. Com tantos veículos, materiais e gente circulando, o risco de contaminação é maior. | |
| Propriedades com histórico da doença - nos talhões em que havia cancro cítrico e nos vizinhos, o ideal é que as inspeções sejam mensais e em todas as árvores (100%); nos outros, pode ser feita em uma a cada cinco árvores (inspeção a 20%). | |
| Propriedades vizinhas de focos de cancro - inspecionar a 100%. | |
| Demais propriedades - fazer pelo menos três inspeções por ano, uma antes da colheita e duas logo depois do período de maior ocorrência de vegetação. |
| Dicas importantes | |
| Erradicação | |
| A única maneira de eliminar o cancro cítrico, uma vez que não existe controle químico para a doença, é a erradicação de plantas contaminadas. Uma nova metodologia passou a vigorar a partir de agosto de 1999, estabelecida por uma legislação estadual paulista com base em lei federal. | |
| Se for detectada uma planta contaminada, três equipes diferentes fazem inspeções consecutivas. Se no talhão houver mais de 0,5% de árvores contaminadas (6 ou mais plantas em um talhão com 1000 plantas, por exemplo), todo ele deve ser erradicado. Se o número de plantas contaminadas for menor ou igual a 0,5%, são eliminadas a(s) planta(s) foco e as que estão num raio de 30 metros. | |
| Nas reinspeções em talhões contaminados, se o número de árvores doentes for menor ou igual a 0,5%, são eliminadas apenas as árvores com sintomas, que serão queimadas no local. Se este número for maior que 0,5% todo o talhão deve ser erradicado. | |
| Plantio e colheita Propriedades contaminadas ficam proibidas de comercializar sua produção até que os trabalhos de erradicação sejam concluídos. Por dois anos não podem ser replantadas plantas cítricas na área erradicada. |
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| Rebrota O produtor deve ficar atento para o surgimento de rebrotas, comuns após o processo de erradicação. As rebrotas devem ser eliminadas. |
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| Processo de erradicação de focos de cancro cítrico |
Erradicação de plantas focos e raio de 30 metros |
Vista aérea de propriedade com áreas onde foi feita a erracadicação | |
| Erradicar cancro cítrico é lei | |
| A Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo pode, através da Agência de Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo (ADAESP) aplicar multas aos produtores que dificultarem o trabalho de saneamento da citricultura. Veja alguns exemplos de atitudes que podem desencadear pesadas multas: | |
| Sempre
Alerta! Caso observe sintomas de cancro cítrico em seu pomar, o produtor deve avisar a Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo ou o Fundecitrus. Só a erradicação consegue eliminar o cancro cítrico |
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