Fundecitrus Informativo
 

Informativo
 
PESQUISA COMPROVA QUE MORTE SÚBITA DOS CITROS É DOENÇA TRANSMISSÍVEL
julho/03
 

Pesquisadores do Fundecitrus comprovaram, experimentalmente, que a morte súbita dos citros (MSC) é uma doença transmissível e, portanto, causada por um agente infeccioso.

Um experimento iniciado em março do ano passado no município mineiro de Comendador Gomes, onde a doença foi detectada pela primeira vez, comprovou o surgimento dos sintomas da doença em plantas sadias, depois delas terem recebido enxertia de borbulhas retiradas de plantas infectadas.

planta com sintomas da MSC
Planta com sintomas de MSC 
 

Essa comprovação significa que a MSC pode ser transmitida por mudas contaminadas e produzidas sem os cuidados que a Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo exige. Essa é mais uma evidência em favor da hipótese de a morte súbita ser causada por uma mutante do vírus da tristeza dos citros, doença que quase dizimou a citricultura paulista na década de 40.

O experimento consistiu em enxertar, em mudas das variedades 'Natal' e 'Pêra' sobre porta-enxerto de limão 'Cravo', com borbulhas obtidas de três fontes:
1- de plantas sadias da Estação Experimental de Citricultura de Bebedouro (SP), afastada a quilômetros da área afetada;
2- de plantas de copa 'Natal' sobre porta-enxerto 'Cleópatra' da região onde surgiu a MSC, que não mostravam sintomas porque a combinação 'Natal'/'Cleópatra' é tolerante à doença;
3- de plantas de copa 'Natal' em porta-enxerto de 'Cravo' da região afetada e com sintomas da doença.

No início de maio, foram escolhidas quatro plantas que haviam recebido as borbulhas e mostravam sintomas externos da MSC. Três das plantas de 'Pêra' sobre 'Cravo', que haviam recebido borbulhas de 'Natal' sobre 'Cleópatra', já tinham também os sintomas internos, ou seja, o amarelecimento dos tecido internos da casca do porta-enxerto Todas tinham recebido borbulhas de plantas da região afetada. Com isso, além de se comprovar a natureza infecciosa da doença, comprovou-se, também, que o período de incubação é de cerca de 13 meses e que mudas sobre porta-enxertos tolerantes, apesar de não apresentarem sintomas, podem estar contaminadas e, portanto, espalhar a doença.

A morte súbita dos citros (MSC) foi identificada pela primeira vez em 2001, em pomares de Minas Gerais, e se espalhou pelo Norte do Estado de São Paulo e Sul do Triângulo Mineiro. Mais de um milhão de árvores apresentam sintomas da doença, o que representa prejuízo de aproximadamente US$ 20 milhões. Por enquanto, a doença só atingiu os pés de laranja enxertados em limão 'Cravo'. Essa característica é preocupante porque o 'Cravo' responde por 85% dos porta-enxertos do parque citrícola brasileiro, do qual fazem parte 313 municípios paulistas e 17 mineiros. A MSC pode matar a planta em poucas semanas, porque ataca severamente as raízes que, debilitadas, não conseguem suprir a necessidade de água e sais minerais da árvore.

 

| O Fundecitrus | Científico | Técnico | Viveiros e Mudas | Doenças e Pragas | Doenças e Pragas Exóticas | Centros de Apoio |
| Estatísticas Cancro | Estatísticas CVC | Informativo | Opinião | Ações Sociais | Biblioteca do Fundecitrus |