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Essa comprovação significa que a MSC pode ser transmitida por mudas contaminadas
e produzidas sem os cuidados que a Secretaria da Agricultura e Abastecimento
do Estado de São Paulo exige. Essa é mais uma evidência em favor da hipótese
de a morte súbita ser causada por uma mutante do vírus da tristeza dos
citros, doença que quase dizimou a citricultura paulista na década de
40.
O experimento consistiu em enxertar, em mudas das variedades 'Natal'
e 'Pêra' sobre porta-enxerto de limão 'Cravo', com borbulhas obtidas de
três fontes:
1- de plantas sadias da Estação Experimental
de Citricultura de Bebedouro (SP), afastada a quilômetros da área afetada;
2- de plantas de copa 'Natal' sobre porta-enxerto
'Cleópatra' da região onde surgiu a MSC, que não mostravam sintomas porque
a combinação 'Natal'/'Cleópatra' é tolerante à doença;
3- de plantas de copa 'Natal' em porta-enxerto
de 'Cravo' da região afetada e com sintomas da doença.
No início de maio, foram escolhidas quatro plantas que haviam recebido
as borbulhas e mostravam sintomas externos da MSC. Três das plantas de
'Pêra' sobre 'Cravo', que haviam recebido borbulhas de 'Natal' sobre 'Cleópatra',
já tinham também os sintomas internos, ou seja, o amarelecimento dos tecido
internos da casca do porta-enxerto Todas tinham recebido borbulhas de
plantas da região afetada. Com isso, além de se comprovar a natureza infecciosa
da doença, comprovou-se, também, que o período de incubação é de cerca
de 13 meses e que mudas sobre porta-enxertos tolerantes, apesar de não
apresentarem sintomas, podem estar contaminadas e, portanto, espalhar
a doença.
A morte súbita dos citros (MSC) foi identificada pela primeira vez em
2001, em pomares de Minas Gerais, e se espalhou pelo Norte do Estado de
São Paulo e Sul do Triângulo Mineiro. Mais de um milhão de árvores apresentam
sintomas da doença, o que representa prejuízo de aproximadamente US$ 20
milhões. Por enquanto, a doença só atingiu os pés de laranja enxertados
em limão 'Cravo'. Essa característica é preocupante porque o 'Cravo' responde
por 85% dos porta-enxertos do parque citrícola brasileiro, do qual fazem
parte 313 municípios paulistas e 17 mineiros. A MSC pode matar a planta
em poucas semanas, porque ataca severamente as raízes que, debilitadas,
não conseguem suprir a necessidade de água e sais minerais da árvore.
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