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O emprego cada vez maior de colhedores terceirizados, que usam material
de colheita próprio, favorece a disseminação da praga, na medida em que
permite transportar insetos entre os pomares.
Ao sugar a seiva da planta, a ortézia produz um líquido açucarado que
favorece a proliferação de um fungo (Capnodium sp.) que produz
a fumagina, uma cobertura escura que acaba recobrindo as folhas e impedindo
a fotossíntese. Os frutos ficam aguados e impróprios para o consumo.
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Folha recoberta pelo fungo da fumagina |
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O controle químico da ortézia é difícil por não existir inseticida específico
para a praga. Tem-se usado como forma de controle alternativo a aplicação
de inseticidas organofosforados, de contato ou sistêmicos, piretróides
sintéticos e inseticidas carbamatos sistêmicos na forma granulada com
aplicação via solo. Há ainda um produto biológico, obtido a partir do
fungo Beauveria bassiana, que vem sendo usado na proporção de 2
kg para 2 mil litros de água, com óleo vegetal a 0,5% ou óleo mineral
a 1%.
Walkmar diz que a técnica mais eficaz de pulverização contra a ortézia
envolve duas etapas: na primeira, usando uma pistola, o citricultor deve
pulverizar o tronco e os galhos internos e, depois, passar o atomizador
em toda a copa. "A pulverização deve ser feita assim que a presença da
ortézia no pomar for constatada pelo monitor de pragas", explica. Ele
lembra que qualquer demora pode complicar a situação, pois o inseto tem
um ciclo evolutivo de cerca de 42 dias na região central de São Paulo,
e se hospeda em praticamente todas as ervas daninhas do pomar. A partir
de janeiro/fevereiro começam a aparecer os primeiros ataques, com pico
em julho/agosto, ou em setembro/outubro, no caso do atraso do início das
chuvas. Se bem feita, a pulverização é eficiente por, no mínimo, quatro
meses e, no máximo, oito. Havendo o retorno da praga, deve-se repetir
a pulverização num prazo de 20 a 30 dias.
Inimigo natural em estudo
O pesquisador Walker de Souza Pinto, da Unesp de Jaboticabal, espera iniciar
ainda este ano um projeto de pesquisa sobre a ação da vespa Gitona
brasiliensis, inimigo natural da ortézia, no controle biológico da
praga. "Esse parasitóide, sozinho, não resolve o problema, mas queremos
saber até que ponto pode ajudar", diz ele.
A ação da vespa sobre a ortézia foi observada pelo engenheiro agrônomo
Walkmar Brasil de Souza Pinto, da Cati/Bebedouro, em pomares comerciais
no município paraense de Capitão Poço. Ele capturou alguns insetos que
a pesquisadora Antonia Durval, trabalhando na Universidade do Hawaí, identificou
como sendo da espécie G. brasiliensis.
Um projeto de pesquisa está montado para verificar as melhores formas
de reproduzir a vespinha em laboratório para posterior soltura nos pomares,
e também para avaliar sua eficiência no controle da ortézia. O projeto
deve ser desencadeado ainda este ano. Também será verificada a tolerância
da G. brasiliensis a diferentes inseticidas que têm efeito sobre
a ortézia, para criar estratégias de combate à praga usando tanto controle
químico quanto biológico.
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