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ORTÉZIA PODE CAUSAR SÉRIOS PREJUÍZOS SE NÃO FOR COMBATIDA A TEMPO
março/03
 

A circulação de material de colheita de um pomar para outro, por colhedores terceirizados, pode ser uma das responsáveis pelo surto de ortézia que se manifesta em várias áreas do parque citrícola, segundo o engenheiro agrônomo Walkmar Brasil de Souza Pinto, da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) de Bebedouro. Ele alerta que, em geral, o citricultor dá pouca importância ao combate à ortézia, mesmo ela sendo uma ameaça.

"É a cochonilha de controle mais difícil e a que resulta em maior acúmulo de fumagina na planta, que fica debilitada e pára de vegetar quando a infestação é grande", explica.

colônia com fêmeas adultas e ninfas
Colônia com fêmeas adultas e ninfas 
 

O emprego cada vez maior de colhedores terceirizados, que usam material de colheita próprio, favorece a disseminação da praga, na medida em que permite transportar insetos entre os pomares.

Ao sugar a seiva da planta, a ortézia produz um líquido açucarado que favorece a proliferação de um fungo (Capnodium sp.) que produz a fumagina, uma cobertura escura que acaba recobrindo as folhas e impedindo a fotossíntese. Os frutos ficam aguados e impróprios para o consumo.

folha recoberta pelo fungo da fumagina
Folha recoberta pelo fungo da fumagina 
 

O controle químico da ortézia é difícil por não existir inseticida específico para a praga. Tem-se usado como forma de controle alternativo a aplicação de inseticidas organofosforados, de contato ou sistêmicos, piretróides sintéticos e inseticidas carbamatos sistêmicos na forma granulada com aplicação via solo. Há ainda um produto biológico, obtido a partir do fungo Beauveria bassiana, que vem sendo usado na proporção de 2 kg para 2 mil litros de água, com óleo vegetal a 0,5% ou óleo mineral a 1%.

Walkmar diz que a técnica mais eficaz de pulverização contra a ortézia envolve duas etapas: na primeira, usando uma pistola, o citricultor deve pulverizar o tronco e os galhos internos e, depois, passar o atomizador em toda a copa. "A pulverização deve ser feita assim que a presença da ortézia no pomar for constatada pelo monitor de pragas", explica. Ele lembra que qualquer demora pode complicar a situação, pois o inseto tem um ciclo evolutivo de cerca de 42 dias na região central de São Paulo, e se hospeda em praticamente todas as ervas daninhas do pomar. A partir de janeiro/fevereiro começam a aparecer os primeiros ataques, com pico em julho/agosto, ou em setembro/outubro, no caso do atraso do início das chuvas. Se bem feita, a pulverização é eficiente por, no mínimo, quatro meses e, no máximo, oito. Havendo o retorno da praga, deve-se repetir a pulverização num prazo de 20 a 30 dias.

Inimigo natural em estudo
O pesquisador Walker de Souza Pinto, da Unesp de Jaboticabal, espera iniciar ainda este ano um projeto de pesquisa sobre a ação da vespa Gitona brasiliensis, inimigo natural da ortézia, no controle biológico da praga. "Esse parasitóide, sozinho, não resolve o problema, mas queremos saber até que ponto pode ajudar", diz ele.

A ação da vespa sobre a ortézia foi observada pelo engenheiro agrônomo Walkmar Brasil de Souza Pinto, da Cati/Bebedouro, em pomares comerciais no município paraense de Capitão Poço. Ele capturou alguns insetos que a pesquisadora Antonia Durval, trabalhando na Universidade do Hawaí, identificou como sendo da espécie G. brasiliensis.

Um projeto de pesquisa está montado para verificar as melhores formas de reproduzir a vespinha em laboratório para posterior soltura nos pomares, e também para avaliar sua eficiência no controle da ortézia. O projeto deve ser desencadeado ainda este ano. Também será verificada a tolerância da G. brasiliensis a diferentes inseticidas que têm efeito sobre a ortézia, para criar estratégias de combate à praga usando tanto controle químico quanto biológico.

 

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