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Na
abertura da Semana da Citricultura de Cordeirópolis, as principais
entidades de pesquisa do setor citrícola do Brasil entregaram um
manifesto assinado ao secretário de Agricultura, João Sampaio. O
documento aponta a ineficiência no combate à greening no Estado de São
Paulo e cobra ações imediatas do governo paulista contra o greening.
Os pesquisadores
alertavam para o risco do aumento de plantas sintomáticas e da
estagnação nas ações de controle. Como solução para a atual situação
crítica do greening, o manifesto alega ser preciso que o governo
estadual atue prioritariamente no controle da doença. Os pesquisadores
também defendem a necessidade do governo disponibilizar, com urgência,
um maior número de agentes fitossanitários para efetiva fiscalização.
Por fim, eles defendem campanhas para a conscientização da sociedade em
geral e, particularmente, dos citricultores.
A AMEAÇA
DO HUANGLONGBING (GREENING):
A
CITRICULTURA PAULISTA EM RISCO
O
agronegócio da citricultura é um dos setores brasileiros mais
competitivos e de maior potencial de crescimento. O Brasil detém 30% da
produção mundial de laranja e 59% da produção de suco de laranja. O
sistema agroindustrial citrícola paulista movimenta R$ 9 bilhões por ano
e gera mais de 400 mil empregos diretos. O país exporta US$ 2,0 bilhões
em suco de laranja, o que representa a fatia de 80% do mercado mundial,
cujo consumo vai crescendo a uma taxa de 2 a 4% ao ano.
O
Huanglongbing (HLB) é a principal doença que afeta a cultura dos
citros em todo o mundo. É causada, no Brasil, por duas espécies
bacterianas, Candidatus Liberibacter asiaticus e Ca. L.
americanus, ambas transmitidas pelo inseto Diaphorina citri. Em
São Paulo, a doença foi identificada pela primeira vez em 2004. Os
países asiáticos, origem do patógeno e do vetor, há muito perderam sua
importância como produtores de citros devido à incapacidade de encontrar
uma solução econômica para o problema.
São Paulo, agora,
enfrenta o mesmo desafio e a batalha está sendo perdida.
A batalha está sendo perdida
pela paralisia em que estamos mergulhados. Em 2004 tínhamos 46
municípios com plantas sintomáticas; esse número aumentou para 98 em
2006, 124 em 2007 e 176 em 2008. A incidência de talhões com a doença
evoluiu de 3,41% em 2004 para 12,89% em 2007 e 18,57% em 2008. Mais de
três milhões de plantas já foram erradicadas, mas estima-se em 2,4
milhões as plantas sintomáticas que ainda permanecem nos pomares
paulistas, todas constituindo-se em fontes de inóculo para novas
infecções.
É urgente e absolutamente necessário que
essas plantas sejam eliminadas o quanto antes. Cada dia que passa
significa milhares de outras infecções que irão se expressar meses
depois. O controle do HLB no Estado de São Paulo foi iniciado em 2005 e
grandemente auxiliado, posteriormente, pela Legislação Federal
(Instrução Normativa 32 de 29/09/2006). Essa instrução determina a
obrigatoriedade dos citricultores removerem sistematicamente todas as
árvores cítricas com sintomas da doença. A fiscalização dessa instrução
tem sido feita pela Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo com
o apoio do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus). Mas tem havido
sérias deficiências na condução desse trabalho.
A ineficiência da
aplicação da IN 32 e a conseqüente permanência de árvores e pomares
severamente afetados pela doença têm ocorrido principalmente em razão do
reduzido número de agentes fitossanitários disponíveis para essa
atividade. Esse número é insuficiente para o controle da doença no
Estado de São Paulo.
A solução para essa
situação crítica, que pode levar ao colapso da indústria citrícola
paulista (que ainda é a maior do mundo) em poucos anos, implica em ações
imediatas por parte do governo paulista, a saber:
(i) Que o controle da
doença passe a ser uma prioridade de Governo;
(ii) Disponibilização
imediata de número suficiente de agentes fitossanitários (Engenheiros
Agrônomos e Técnicos ...) para exercer a fiscalização de modo a
viabilizar a efetiva implantação da Instrução Normativa N°32 do MAPA;
(iii) Realização de
vigorosa campanha para a conscientização da sociedade em geral e em
particular dos citricultores, para a urgência da adoção de medidas
visando evitar a iminente catástrofe que será o fim de nossa
citricultura. |