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SECRETARUA DA AGRICULTURA É COBRADA POR AÇÕES CONTRA O GREENING
Junho/08
 

Na abertura da Semana da Citricultura de Cordeirópolis, as principais entidades de pesquisa do setor citrícola do Brasil entregaram um manifesto assinado ao secretário de Agricultura, João Sampaio. O documento aponta a ineficiência no combate à greening no Estado de São Paulo e cobra ações imediatas do governo paulista contra o greening.

 

Os pesquisadores alertavam para o risco do aumento de plantas sintomáticas e da estagnação nas ações de controle. Como solução para a atual situação crítica do greening, o manifesto alega ser preciso que o governo estadual atue prioritariamente no controle da doença. Os pesquisadores também defendem a necessidade do governo disponibilizar, com urgência, um maior número de agentes fitossanitários para efetiva fiscalização. Por fim, eles defendem campanhas para a conscientização da sociedade em geral e, particularmente, dos citricultores.

 

 

 

A AMEAÇA DO HUANGLONGBING (GREENING):

A CITRICULTURA PAULISTA EM RISCO

 

O agronegócio da citricultura é um dos setores brasileiros mais competitivos e de maior potencial de crescimento. O Brasil detém 30% da produção mundial de laranja e 59% da produção de suco de laranja. O sistema agroindustrial citrícola paulista movimenta R$ 9 bilhões por ano e gera mais de 400 mil empregos diretos. O país exporta US$ 2,0 bilhões em suco de laranja, o que representa a fatia de 80% do mercado mundial, cujo consumo vai crescendo a uma taxa de 2 a 4% ao ano.

 

O Huanglongbing (HLB) é a principal doença que afeta a cultura dos citros em todo o mundo. É causada, no Brasil, por duas espécies bacterianas, Candidatus Liberibacter asiaticus e Ca. L. americanus, ambas transmitidas pelo inseto Diaphorina citri. Em São Paulo, a doença foi identificada pela primeira vez em 2004. Os países asiáticos, origem do patógeno e do vetor, há muito perderam sua importância como produtores de citros devido à incapacidade de encontrar uma solução econômica para o problema.  São Paulo, agora, enfrenta o mesmo desafio e a batalha está sendo perdida.

A batalha está sendo perdida pela paralisia em que estamos mergulhados. Em 2004 tínhamos 46 municípios com plantas sintomáticas; esse número aumentou para 98 em 2006, 124 em 2007 e 176 em 2008. A incidência de talhões com a doença evoluiu de 3,41% em 2004 para 12,89% em 2007 e 18,57% em 2008. Mais de três milhões de plantas já foram erradicadas, mas estima-se em 2,4 milhões as plantas sintomáticas que ainda permanecem nos pomares paulistas, todas constituindo-se em fontes de inóculo para novas infecções.

 

É urgente e absolutamente necessário que essas plantas sejam eliminadas o quanto antes. Cada dia que passa significa milhares de outras infecções que irão se expressar meses depois. O controle do HLB no Estado de São Paulo foi iniciado em 2005 e grandemente auxiliado, posteriormente, pela Legislação Federal (Instrução Normativa 32 de 29/09/2006). Essa instrução determina a obrigatoriedade dos citricultores removerem sistematicamente todas as árvores cítricas com sintomas da doença. A fiscalização dessa instrução tem sido feita pela Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo com o apoio do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus). Mas tem havido sérias deficiências na condução desse trabalho.

 

A ineficiência da aplicação da IN 32 e a conseqüente permanência de árvores e pomares severamente afetados pela doença têm ocorrido principalmente em razão do reduzido número de agentes fitossanitários disponíveis para essa atividade. Esse número é insuficiente para o controle da doença no Estado de São Paulo.

 

A solução para essa situação crítica, que pode levar ao colapso da indústria citrícola paulista (que ainda é a maior do mundo) em poucos anos, implica em ações imediatas por parte do governo paulista, a saber:

 

(i) Que o controle da doença passe a ser uma prioridade de Governo;

 

(ii) Disponibilização imediata de número suficiente de agentes fitossanitários (Engenheiros Agrônomos e Técnicos ...) para exercer a fiscalização de modo a viabilizar a efetiva implantação da Instrução Normativa N°32 do MAPA;

 

(iii) Realização de vigorosa campanha para a conscientização da sociedade em geral e em particular dos citricultores, para a urgência da adoção de medidas visando evitar a iminente catástrofe que será o fim de nossa citricultura.

 

 

 

Hans Georg Krauss

Antonio Roque Dechen

Presidente Fundecitrus

Diretor ESALQ/USP

 

 

Raul José Silva Girio

João Pedro Matta

Diretor FCAV Jaboticabal UNESP

Diretor E.E.C. Bebedouro

 

 

Antonio Júlio Batista

Orlando Melo de Castro

Diretor do Instituto Biológico

Diretor do Instituto Agronômico

 

 

Marcos Antonio Machado

Diretor de Citricultura Sylvio Moreira / IAC

 

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