Tristeza
 

Tristeza - 'Citrus tristeza virus' - CTV
 
  É considerada a virose de maior importância econômica para a citricultura mundial, porque cerca de 100 milhões de árvores foram mortas ou tornaram-se improdutivas pela tristeza. No Brasil, praticamente dizimou os pomares paulistas na década de 40, quando 9 milhões de plantas cítricas sobre porta-enxerto de laranja Azeda foram perdidas. Na época, existiam 11 milhões de pés de laranja. pulgão preto dos citros
Pulgão preto dos citros
Toxoptera citricida
O vírus da tristeza, do gênero Closterovirus, infecta praticamente todas as espécies, cultivares, híbridos e muitos afins de citros.
O pulgão preto dos citros, Toxoptera citricida, é o vetor mais eficiente do vírus da tristeza, mas outros pulgões também podem transmitir o agente causal da doença.


Ocorrência
Provavelmente originária da Ásia, foi descrita pela primeira vez na África do Sul no início do século XX, propagando-se para todas as áreas citrícolas, principalmente na América do Sul, América Central, Estados Unidos, Espanha e Israel. No Brasil, o primeiro relato foi em 1937, no Vale do Paraíba (SP) e, atualmente encontra-se disseminada por todos pomares.


Sintomas
A manifestação dos sintomas depende de condições ambientais e de fatores inerentes à própria planta, como a idade, a capacidade de permitir a multiplicação do vírus e a tolerância dos tecidos, principalmente do floema.
  Comportamento em relação ao CTV
Suscetíveis a Resistentes b Tolerantes c Intolerantes d
laranjas doces   laranjas doces (exceto Pêra) laranja Pêra
  laranja Azeda    
tangerinas   tangerinas  
alguns tangelos   alguns tangelos  
    citranges Troyer e Carrizo  
certos pomelos     certos pomelos
  Poncirus trifoliata Poncirus trifoliata  
  alguns citrumelos alguns citrumelos  
  alguns limões verdadeiros   alguns limões verdadeiros
limão Galego     limão Galego
    limão Cravo  
    limão Volkameriano  
    limão Rugosos  
a - Suscetível = permite a multiplicação do vírus em altas concentrações
b - Resistente = não permite ou permite muito pouco a multiplicação do vírus
c - Tolerante = não manifesta sintomas na presença do vírus
d - Intolerante = manifesta sintomas na presença do vírus
Em pé franco, os sintomas de tristeza só se manifestam quando ele é suscetível e intolerante, como o limão Galego e alguns pomelos. Em plantas enxertadas, os sintomas são expressos quando o porta-enxerto for intolerante e a copa suscetível, como laranjas doces e tangerinas enxertadas sobre laranja Azeda, ou quando a copa for suscetível e intolerante, como a laranja Pêra e certos pomelos.
Existem três tipos de tristeza:
tristeza clássica ou declínio rápido
tristeza que causa sintomas do tipo canelura
tristeza que causa o amarelecimento-do-pé-franco

  Declínio rápido
Observado em combinações de laranja doce, pomelo e tangerinas sobre laranja azeda e caracterizado por profundas mudanças anatômicas na região da enxertia:
Colapso e morte dos tubos crivados, super produção e degradação de células do floema, acúmulo de floema não funcional e invasão do córtex;
Podridão e morte das radicelas;
Folhas descoloridas, bronzeadas, quebradiças, amarelecimento da nervura principal, ou amarelecimento total das folhas velhas;
Seca dos galhos a partir das extremidades;
Declínio rápido da planta, apresentando, algumas vezes, uma linha marrom na região da enxertia quando a casca é retirada.
sintomas - declínio rápido   sintomas em porta-enxerto
Plantas de laranjeira doce sobre laranjeira Azeda com sintomas de Tristeza do tipo declínio rápido.   Sintomas de Tristeza dos Citros na região da enxertia da copa de laranjeira doce sobre a laranjeira Azeda.

  Canelura
Observada em copas sensíveis ao vírus, como a da laranja Pêra e dos pomelos, mesmo quando propagados em porta-enxerto tolerante. Nas folhas das limas ácidas, como o limão Galego e algumas outras rutáceas, observa-se palidez das nervuras, que se mostram translúcidas quando observadas contra a luz.
Caneluras (stem pitting), que são depressões longitudinais que se formam no lenho das plantas;
Redução do tamanho da planta, formação de ramos frágeis e quebradiços e folhas pequenas e cloróticas, semelhante a deficiências de zinco, manganês e outros nutrientes;
Frutos ficam miúdos, vulgarmente denominados "coquinhos", de conformação defeituosa, com albedo espesso, elevada acidez e baixo teor de suco.
sintomas - canelura   stem pitting
Sintomas de Tristeza do tipo canelura   Stem pitting em limão galego (intolerante)
enxertado em limão cravo (tolerante)
 
Na região Sudeste do Estado de São Paulo ocorre uma forma de tristeza extremamente forte denominada variante Capão Bonito, que praticamente afeta todas as variedades comerciais de laranja doce e o cavalo de limão Cravo. Os sintomas são a redução de crescimento, brotação axilar anormal e curta nos galhos; nas folhas, redução de tamanho e cloroses; e a produção de frutos tipo "coquinho". As caneluras são menores, em maior número e menos profundas que as encontradas na laranja Pêra e em outros tipos sensíveis afetados pelo tipo comum de tristeza das regiões tradicionais de cultivo.

  Amarelecimento-do-pé-franco
Observado em mudinhas de pé franco de laranja Azeda, limão verdadeiro, pomelo e limão Galego, quando inoculadas com variantes muito severas de tristeza. Caracterizado por uma clorose severa e nanismo da planta.


Controle
Declínio rápido
Utilização de combinações em porta-enxertos tolerantes ou resistentes. Por muitos anos, o limão Cravo foi o principal substituto da laranja azeda;
Subenxertia, isto é, a troca do porta-enxerto da planta por outro tolerante. (Clique aqui para ver o processo de subenxeria, passo a passo).
Caneluras
Premunização, isto é, a infecção de uma planta de citros com uma estirpe fraca de tristeza que venha a oferecer proteção contra as estirpes fortes, impedindo manifestações severas da doença, inclusive com relação à variante Capão Bonito. Esta técnica tem sido usada no Brasil, para manter a produção de laranja Pêra e limão Galego, e na África do Sul e Austrália, para redução dos danos em pomelos.

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