Pinta Preta ou Mancha Preta dos Citros
 

Pinta Preta ou Mancha Preta dos Citros
 
  Pinta preta ou mancha preta dos citros é uma doença causada pelo fungo Guignardia citricarpa, que afeta todas as variedades de laranjas doces, limões verdadeiros, tangerinas e híbridos. Nunca foram observados sintomas da doença em frutos de lima ácida Tahiti. sintomas em frutos
Frutos com sintomas de Pinta Preta
Disseminada por meio de mudas, restos de material vegetal, água da chuva e vento, a doença não provoca alterações no sabor dos frutos, que podem ser comercializados para a indústria de suco, mas, devido à aparência, tornam-se impróprios para o mercado de fruta fresca.
Em ataques severos, a pinta preta causa a queda acentuada dos frutos.


Ocorrência
A doença foi constatada pela primeira vez em pomares comerciais brasileiros em 1980, no Estado do Rio de Janeiro.


  Ciclo da doença
1 - Nas folhas infectadas em decomposição no solo, forma-se os ascósporos (esporos sexuais do fungo), que levados pelo vento, podem infectar folhas, frutos e ramos. ciclo da pinta preta
Ciclo da Pinta Preta
2 - Nos frutos, forma-se lesões onde são produzidos picnidiósporos (esporos assexuais), que levados a curta distância pela água (chuva, orvalho, irrigação), podem infectar frutos, ramos e folhas.
3 - As folhas infectadas quando caem no solo formam novos ascósporos, dando continuidade ao ciclo.
Em folhas, a suscetibilidade ao fungo ocorre até cerca da metade do seu tamanho final (quatro semanas de idade).
Fatores que provoquem queda de folhas ou debilitem a planta, como pragas e doenças, abandono dos tratos culturais e desequilíbrios nutricionais, favorecem o desenvolvimento da pinta preta.


Sintomas
Uma das principais características da pinta preta é que os frutos podem estar contaminados, sem apresentarem os sintomas típicos da doença. O aparecimento de sintomas pode demorar até um ano, dependendo da variedade e das condições ambientais. O aparecimento é favorecido pela luminosidade combinada com altas temperaturas, sendo comum encontrar frutos com maior número de lesões na face exposta à luz do sol.
Há vários tipos de lesões, nomeados de acordo com suas características, que podem variar dependendo do tamanho do fruto, condição climática e tipo de esporo responsável pela infecção.
Sintomas em frutos:
mancha preta   falsa melanose   mancha rendilhada
Mancha preta ou mancha dura   Falsa melanose   Mancha rendilhada
É a mais típica e aparece quando os frutos estão amadurecendo.
Apresenta bordas salientes com depressão no centro, tem cor clara
com pontos escuros, chamados de picnídios,onde os picnidiósporos
são formados.
  Lesão pequena e com numerosos pontos escuros ao seu redor. Pode ser confundida com a doença melanose dos citros, causada pelo fungo Diaporthe citri. A diferença das lesões está na textura: na melanose é áspera enquanto na pinta preta é lisa.   Lesões superficiais sem bordas definidas e textura lisa, que aparecem quando os frutos ainda estão verdes.
Essas lesões chegam a atingir grande parte da superfície do fruto.
mancha trincada   mancha sardenta   mancha virulenta
Mancha trincada   Mancha sardenta   Mancha virulenta
É superficial e ocorre em pequeno número em frutos ainda verdes. Quando o fruto amadurece, a lesão trinca e está sempre associada ao ácaro da falsa ferrugem (Phyllocoptruta oleivora).   Levemente deprimida e avermelhada, aparece em frutos maduros e também na pós-colheita. Frutos já contaminados, mas sem sintomas, podem expressar lesões durante o armazenamento ou transporte.   Esse tipo de sintoma origina-se do aumento do tamanho e da fusão dos outros tipos de lesões. Com o desenvolvimento, podem tomar grandes áreas da superfície do fruto.
  Sintomas em folhas: sintomas em folha
Sintomas de pinta preta não são observados com frequência em folhas.
Quando ocorrem, são evidentes nas duas faces da folha e as lesões são semelhantes às da mancha preta ou dura observada nos frutos.


Medidas de prevenção
Existem várias medidas que devem ser adotadas para evitar a doença ou minimizar seus prejuízos:
Mudas sadias - a aquisição deve ser feita em viveiros certificados. As mudas são o meio mais importante de disseminação do fungo, pois as folhas podem estar infectadas sem apresentar os sintomas da doença.
Nutrição e sanidade - o pomar deve estar em boas condições de nutrição e sanidade. Plantas delibitadas e doentes são infectadas pelo fungo mais facilmente.
Trânsito no pomar - a desinfestação e retirada de restos de material vegetal dos veículos, máquinas, materiais de colheita e outros equipamentos, antes de entrarem na propriedade, auxiliam na prevenção da pinta preta, porque eles podem conter o fundo que causa a doença. O citricultor deve ter o seu próprio material de colheita, prevenindo assim não só a pinta preta, como também outras doenças. A instalação de bins também auxilia nesse sentido pois diminui o trânsito de caminhões na propriedade.
Quebra vento - a implantação de quebra-ventos contribui para reduzir a disseminação dos esporos que são carregados pelo vento a longas distâncias.

Manejo
Frutos infectados - os frutos temporões infectados devem ser removidos antes do início da florada, evitando assim que o fungo existente nesses frutos infecte os frutos da nova florada.
 
Controle do mato - recomenda-se as práticas que formam cobertura morta sob a copa das plantas (herbicidas pós-emergentes e roçadeiras), que dificultam a liberação dos esporos formados nas folhas em decomposição.
Irrigação - irrigar o pomar no inverno, período seco, para evitar a queda excessiva das folhas. A desfolha da planta agrava o nível da doença, aumentando a fonte de inóculo do fungo (ascósporos), que se desenvolve nas folhas caídas no solo.
Outra medida que pode ajudar no controle da doença é a pulverização das folhas caídas com uréia. A uréia abrevia a decomposição das folhas que caem no solo, reduzindo assim a produção de ascósporos e evitando, portanto, que esses sejam liberados após o florescimento.
controle do mato controle do mato irrigação
Prevenção: limpeza e desinfecção
de veículos antes que estes
entrem na propriedade
Manejo: controle do mato
nas linhas de plantio
Manejo: irrigação no período seco,
para evitar a queda excessiva
das folhas


Controle
O controle químico da pinta preta, assim como o manejo do pomar, deve considerar as seguintes condições:
Histórico da doença na propriedade;
Condições climáticas;
Desenvolvimento da planta;
Destino da produção (mercado ou indústria);
Condições nutricionais e sanidade do pomar.
Uma forma de economizar e racionalizar o uso de fungicidas é conciliar o controle químico da pinta preta com o de outras doenças fúngicas, como a verrugose e a melanose.
As duas pulverizações pós-florada realizadas para o controle de verrugose e melanose dão uma proteção parcial a pinta preta se forem feitas com produtos adequados e com a adição de óleo mineral ou vegetal a 0,5%. Veja logo abaixo um exemplo de calendário de pulverizações.
Calendário de Pulverizações
Faça o controle conjunto de pinta preta, verrugose e melanose. O intervalo entre as aplicações pode variar em função dos fungicidas utilizados.
calendário de pulverizações
Atenção
Antes da aplicação dos defensivos, solicite a orientação de um agrônomo para conhecer as doses corretas, a garantia de registro, seletividade aos inimigos naturais e uso de equipamentos de proteção.

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