Ortézia
 

Ortézia
 
  A praga ataca as variedades de citros e outras plantas, como café, ervas daninhas e cerca de 30 espécies de plantas ornamentais. fêmeas de ortézia e fruto coberto por fumagina
Colônias com fêmeas adultas de
Ortézia e fruto coberto por fumagina
Ocorrência
Esta espécie de cochonilha está presente em todos os estados brasileiros. O nome científico é Orthezia praelonga e o primeiro registro no Brasil foi em 1938, em Pernambuco.
Em 1947, sua presença foi constatada no Rio de Janeiro, chegando ao Estado de São Paulo somente em 1978, no município de Severínia.


Biologia
A fêmea mede aproximadamente 2 mm, tem o corpo ovalado, com coloração esverdeada e recoberto por uma lâmina de cera branca. Quando adulta, possui na parte traseira de seu corpo o órgão chamado de ovissaco, que tem o tamanho aproximado de 6 mm de comprimento curvado para cima. Nele são depositados os ovos. As ninfas ali permanecem até a primeira troca de pele (ecdise). Durante o ciclo, ela tem a capacidade de colocar mais de 100 ovos.
colônia com fêmeas adultas e ninfas fêmea adulta e ninfas fêmeas jovens e ninfas
Colônia com fêmeas adultas
(ovissaco desenvolvido) e ninfas
Detalhe de fêmea adulta
(ovissaco desenvolvido) e ninfas
Fêmea jovens (com início da
formação do ovissaco) e ninfas
Esta cochonilha passa por quatro fases de ninfa, sendo que nas três primeiras os machos são semelhantes às fêmeas. Na última fase, os machos se transformam em indivíduos alados, de coloração esverdeada e cauda com cerdas brancas alongadas.
pupas de ortézia macho pupas de ortézia macho macho adulto
Pupas de macho na folha Pupas de macho no tronco da planta Macho adulto


Sintomas
A cochonilha ortézia prejudica a planta de forma direta e indireta. Na forma direta, o inseto suga a seiva da planta ao mesmo tempo em que introduz toxinas e, provoca a desfolha, enfraquecimento da árvore e a queda dos frutos (mais de 50%). Os que sobram ficam "aguados", ou seja, com baixo teor de açúcar e ácido. Em casos mais graves, os frutos ficam muito pequenos e imprestáveis para o comércio.
O dano indireto é causado pela fumagina, uma camada de fungo preto (Capnodium sp.) que encobre as partes verdes da planta, prejudica a fotossíntese e enfraquece a árvore. O fungo se desenvolve no líquido açucarado eliminado pela cochonilha. Em caso de total falta de controle, a ação conjunta da ortézia e da fumagina pode provocar a morte da planta. É a fumagina que dá o aspecto escuro da planta com ortézia.
folha recoberta por fumagina folha recoberta por fumagina fruto recoberto por fumagina
Folha recoberta com
o fungo de Fumagina
Folha recoberta com
o fungo de Fumagina
Fruto recoberto com
o fungo de Fumagina


  Formas de disseminação
A praga se espalha pelo pomar por meio do material de colheita, roupas, homens, veículos, vento e mesmo pelo jato do pulverizador. Por isso é muito importante fazer inspeções antes da colheita e da pulverização. Vale salientar que a ocorrência da praga se dá em reboleira. cuidado na época da colheita
Uma forma menos comum de disseminação é feita por algumas espécies de formigas. Por se alimentarem do líquido açucarado eliminado pela ortézia, elas podem transportar a praga de uma planta para outra.
O grande número de plantas hospedeiras (além dos citros) pode facilitar a disseminação e recontaminação do pomar. Por isso, em casos de infestação dos pomares, o ideal é eliminar as plantas invasoras, nas reboleiras, para evitar que a cochonilha se hospede no mato.


Controle
A ortézia, como outras espécies de cochonilhas, tem uma característica que dificulta tanto o controle químico quanto o biológico. Ela possui o ovissaco, câmara onde os ovos são depositados, que não é atingido pelos inseticidas e nem atacado pelo seu inimigo natural, preservando os ovos.
Para um controle eficiente recomenda-se as seguintes medidas:
Encontrar todos os focos de ortézia no talhão e/ou propriedade;
Controlar as plantas invasoras nos focos de ocorrência da praga e num raio de pelo menos 20 m de distância. Essa medida serve também para localização dos focos e checagem da eficiência do controle;
Aplicar inseticida de contato para eliminar as ninfas e adultos e/ou aplicar inseticida sistêmico para controle das ninfas que estão protegidas no ovissaco e que irão emergir após o término do resíduo do inseticida de contato. Deve-se adicionar óleo mineral ou vegetal para melhorar a eficiência do controle;
Reaplicar inseticida após 20 dias para eliminar as reinfestações, no caso da não utilização de inseticidas sistêmicos;
Caso a incidência seja muito grande, fazer uma terceira aplicação.
Mesmo após este controle, é necessário continuar o monitoramento do inseto.
Atenção
Antes da aplicação dos defensivos, solicite a orientação de um agrônomo para conhecer as doses corretas, a garantia de registro, seletividade aos inimigos naturais e uso de equipamentos de proteção.

Controle biológico
Está sendo estudado por pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente, em Jaguariúna (SP). O inimigo natural é um fungo chamado Colletotrichum gloesporioides, isolado Orthezia. Apesar de não eliminar definitivamente a praga, porque não destrói o ovo, o fungo ataca as formas jovem e adulta da ortézia, e reduz o número de cochonilhas adultas.
Em experiências de campo esse inimigo natural reduziu em até 82% o número de insetos adultos e em até 84% a infestação da praga. Os testes estão sendo feitos nas variedades de laranja Natal, Pêra e tangerina Ponkan. Segundo pesquisadores da Embrapa, no futuro, esse tratamento deverá fazer parte do manejo integrado de pragas e dispensar o controle químico.
Outra opção de controle biológico é a aplicação do fungo Beauveria bassiana, que deve ser realizado no período das chuvas.

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