Cigarrinhas
 

Cigarrinhas
 
  As cigarrinhas são insetos sugadores que se alimentam em um grande número de espécies de plantas. Só na cultura de citros existem aproximadamente de 60 a 70 espécies de cigarrinhas que podem ser observadas nas árvores e na vegetação espontânea. cigarrinha em folha de citros
Cigarrinha em folha de citros
Em anos chuvosos elas aparecem na primavera e, em anos secos, começam a surgir mais tarde, no início do verão. O motivo está no fato de preferirem se alimentar de brotações jovens, que ocorrem com maior freqüência em épocas de chuva. No meio do ano, quando se inicia a seca, as cigarrinhas começam a migrar para outras vegetações.
 
Muitos desses insetos podem transmitir doenças em diversas culturas. Um exemplo é a clorose variegada dos citros (CVC) ou amarelinho - doença causada pela bactéria Xylella fastidiosa, que vive nos vasos do xilema da planta. Para a sua disseminação natural e inoculação em plantas, essa bactéria depende de insetos vetores, que são algumas espécies de cigarrinhas.
Além de viver nos vasos do xilema da planta, a Xylella fastidiosa consegue sobreviver no aparelho bucal dessas espécies transmissoras. Durante a sua alimentação, as cigarrinhas infectadas podem inocular a bactéria nas plantas. Todas as fases de desenvolvimento das cigarrinhas podem transmitir a bactéria, mas a fase mais importante é a adulta. Ao adquirir a bactéria, as cigarrinhas adultas passam a transmiti-la pelo resto de suas vidas.
Com relação a preferência das cigarrinhas, as mais abundantes na natureza se alimentam em gramíneas. Algumas, como Bucephalogonia xanthophis, preferem plantas em viveiros e novos plantios. Outras espécies apresentam hábitos arbóreos e se alimentam de plantas cítricas maiores, como Dilobopterus costalimai, Oncometopia facialis, Acrogonia citrina, Homolodisca ignorota, Acrogonia virescens e Parathona gratiosa.


Espécies transmissoras
Onze espécies de cigarrinhas são comprovadamente capazes de transmitir a CVC, ao inocularem a bactéria em plantas sadias. As cigarrinhas adquirem a bactéria ao se alimentarem de plantas doentes.

  Dilobopterus costalimai
Tem por hábito alimentar-se de brotações novas e tenras da planta e, algumas vezes, de folhas novas. Dificilmente é vista em pomares que não tenham vegetações novas.
Os ovos, amarelados, são depositados dentro de folhas tenras e novas, ao longo das nervuras. Antes de atingir a fase adulta passa por cinco estágios ninfais, com duração média de 65 dias. O adulto mede cerca de 0,8 cm, apresenta linhas escuras na cabeça e possui olhos grandes e negros.
Ocorre na Argentina, Brasil e Paraguai.
ovos de D. costalimai ninfa de D. costalimai adulto de D. costalimai
Ovos, depositados em folhas novas Estágio ninfal Adulto de Dilobopterus costalimai

  Acrogonia citrina
Localizam-se predominantemente na parte superior das folhas, preferindo as mais tenras e novas. Os ovos são alongados e dispostos lado a lado, em duas camadas. Geralmente são recobertos com cera pela fêmea.
Ao saírem dos ovos, as ninfas são brancas, mas depois tornam-se esverdeadas. Essa fase tem duração de 50 dias. Os adultos possuem barriga e as pernas amarelas, as asas são marrons com nervuras verdes. As cigarrinhas medem cerca de 0,9 cm.
É encontrada na Argentina e no Brasil.
ovos de A. citrina ninfas de de A. citrina adulto de A. citrina
Ovos, recobertos com cera ninfas Adulto de Acrogonia citrina

  Oncometopia facialis
Prefere ramos mais desenvolvidos, mas não completamente lenhosos, sendo encontrada com mais freqüência em ramos eretos. adulto de O. facialis
Adultos de Oncometopia facialis
Os ovos são depositados lado a lado, em uma única camada, e recobertos com cera pela fêmea. Normalmente, postos na face inferior da folha. As ninfas são escuras ao nascerem do ovo. Essa fase tem duração de 76 dias. A espécie tem asas de cor marrom com terminação transparente e áreas douradas. Mede cerca de 1,1 cm e a característica marcante é a mancha escura na parte posterior da cabeça.
Ocorre na Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador e Paraguai.

  Bucephalogonia xanthophis
Essa cigarrinha tem importância especial porque é muito encontrada em viveiros a céu aberto e, provavelmente, é a maior responsável pela transmissão da doença para mudas. Também está presente em plantas novas e na vegetação invasora do pomar. adulto de B.  xanthophis
Adulto de Bucephalogonia xanthophis
Os ovos são translúcidos e depositados em pares. Preferencialmente, são postos nos ramos tenros da planta. De tamanho pequeno, mede no máximo 0,5 cm de comprimento. Tem coloração esverdeada e a terminação de suas asas é transparente.
Ocorre na Argentina e no Brasil.

  Plesiommata corniculata
É uma espécie abundante, facilmente observada em gramíneas e está presente na planta cítrica. adulto de P. corniculata
Adulto de Plesiommata corniculata
Seu tamanho varia entre 0,4 cm e 0,7 cm de comprimento. Caracteriza-se por apresentar coloração entre gelo e palha, com nervuras marrons ou escuras nas asas. A coloração do corpo, abdômen e pernas também é clara.
Encontrada na Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Paraguai e Peru.

  Outros vetores
Macugonalia leucomelas
Prefere gramíneas, mas eventualmente pode ser vista em plantas cítricas. Apresenta grande diversidade de cores. As asas têm coloração escura com manchas amarelas ou brancas.
Sonesimia grossa
Uma das maiores espécies, chega a um centímetro de comprimento. Raramente é observada em plantas cítricas, vive nas gramíneas. Tem coloração marrom, com nervuras claras nas asas.
Ferrariana trivittata
Ocorre na vegetação invasora do pomar, principalmente gramíneas. As asas têm faixas de cor azul e laranja. Corpo e pernas são esbranquiçados.
Macugonalia leucomelas Sonesimia grossa Ferrariana trivittata
Macugonalia leucomelas Sonesimia grossa Ferrariana trivittata
 
Homalodisca ignorata
Semelhante a Oncometopia facialis, só que menos abundante. A diferenciação entre essas duas espécies se dá pela cor do corpo: Homalodisca ignorata apresenta coloração creme, enquanto O. facialis tem coloração arroxeada.
Acrogonia virescens
Vive preferencialmente em plantas cítricas. A coloração é verde intenso.
Parathona gratiosa
Também prefere viver sobre citros. A principal característica é a mancha clara e arredondada nas asas, que também são cobertas de pintas amarelas.
Homalodisca ignorata Acrogonia virescens Parathona gratiosa
Homalodisca ignorata Acrogonia virescens Parathona gratiosa
 
Entre estas seis espécies, Acrogonia virescens e Parathona gratiosa são predominantes na região de Bebedouro. As demais estão distribuídas por toda a região citrícola do Estado de São Paulo.

  Espécies que são vetores potenciais
Existem inúmeras cigarrinhas que podem transmitir a bactéria Xylella fastidiosa para os citros, pois se alimentam nos vasos do xilema das plantas. A sua identificação é necessária e importante para que se tome medidas de controle, principalmente em viveiros - já que a produção de mudas sadias é fundamental para evitar a disseminação da CVC.
Além das cigarrinhas consideradas potencialmente transmissoras, pode haver outras espécies que ainda não foram identificadas. Por esse motivo, estão sendo feitas pesquisas para esclarecer dúvidas a respeito da biologia, ecologia e comportamento das cigarrinhas. Só assim haverá segurança nas medidas de controle.
Hortensia similis Macugonalia cavifrons Molomea cincta
Uma das espécies mais
abundantes em pomares de citros.
Encontrada com grande
frequência em plantas cítricas.
Não é comum encontrá-las em pomares


Monitoramento de cigarrinhas
Existem vários métodos de amostragem da população de cigarrinhas. Na hora da escolha, contudo, deve-se levar em consideração a sua eficiência e praticidade.

  Armadilha adesiva amarela
A sua distribuição deve ser uniforme pelo talhão. O tamanho mais comum é 12x7cm. Elas devem ser colocadas preferencialmente na face norte das plantas a uma altura de 1,5 a 1,8 m do chão. A sua duração é de no máximo um mês e podem ser afetadas pela chuva e poeira. armadilha adesiva amarela
Armadilha adesiva amarela
Entre as suas vantagens estão a possibilidade de coleta constante e a indicação da movimentação e quantidade de cigarrinhas.
O uso de armadilhas adesivas tem apresentado resultados relativamente eficientes no monitoramento de insetos em pomares. Com a nacionalização da armadilha amarela adesiva, os custos tornaram-se acessíveis e pode ser uma grande ferramenta para monitoramento da praga.
A sua eficiência pode ser influenciada pela presença de brotações, mais atrativas às cigarrinhas do que a coloração amarela da armadilha. Na ausência de vegetação, é um método de amostragem superior aos demais.

Observação visual
É um método eficiente desde que o amostrador tenha prática e seja bem treinado para reconhecer as principais espécies. Além disso, é preciso conhecer os hábitos das cigarrinhas para facilitar a localização na planta. A principal vantagem é que esse método pode ser realizado com as inspeções rotineiras de ácaros e outras pragas.
Em pomares adultos, o ideal é fazer a amostragem nas replantas ou nas brotações novas. Nas áreas em formação não é preciso distinguir as plantas. Para uma margem de segurança razoável, a base para a amostragem deve ser de 1% a 2% das árvores, com uma boa distribuição dentro do talhão.

  Rede entomológica (puçá)
É um método eficaz de amostragem e capaz de capturar cigarrinhas que escapam à observação visual. Com a rede é possível alcançar ramos mais altos da planta. rede entomológica
Uso de rede entomológica
Para uma amostragem confiável, prática e rápida, o ideal é aliar a observação visual com a rede ontomológica. Num primeiro momento pode-se visualizar os principais locais de preferência das cigarrinhas e, posteriormente, usar a rede nos ramos novos e naqueles que estão eretos, destacando-se da planta.
O uso da rede deve ser feito de modo que ela cubra rapidamente toda a extensão do ramo. A boca do puçá é torcida para evitar a fuga das cigarrinhas. Em seguida agite o puçá ou o ramo para que os insetos passem para a rede. Retire o puçá com cuidado e então registre o número e as espécies capturadas.
Como na observação visual, haverá segurança razoável se a base de amostragem for de 1% a 2% das árvores com uma boa distribuição no talhão.


Controle
O controle químico de cigarrinhas, tem como objetivo reduzir ao máximo a sua população e, deve ser realizado:

  Em pomares novos - até três anos de idade
Nesse período o controle deve ser realizado de forma preventiva para proteger a planta durante todo o ano, pois se a laranjeira for contaminada nesse momento, praticamente estará perdida. O controle pode ser realizado com a utilização de inseticidas sistêmicos no período das chuvas, aliados à inseticida de contato no período seco do ano ou pela utilização somente de inseticidas de contato. Nas duas estratégias de controle deve-se levar em consideração o período de controle de cada produto. sintoma inicial de CVC
Sintoma inicial de CVC
Perda de turgidez
O controle deve ser mais rigoroso quando os novos plantios estão próximos a pomares em produção contaminados. O fato de um pomar estar isolado de outros não elimina a necessidade de controle do vetor, pois tem-se constatado a presença de plantas doentes em áreas de plantios relativamente isolados, mesmo com programas rigorosos de controle das cigarrinhas.
O reflexo do controle ineficiente, não será notado de imediato, isso ocorre um a dois anos após, quando investiu-se um grande montante no plantio e manutenção da muda.
O controle do vetor também não elimina a necessidade de vistoria do pomar e eliminação de plantas doentes.
O plantio de mudas produzidas em viveiro telado não significa que as mesmas serão resistentes às pragas e doenças. Nessas também, o controle deve ser rigoroso e de forma sistemática.

Em plantas acima de quatro anos
O controle deve ser realizado quando houver a presença de, no mínimo, 10% das árvores vistoriadas, com pelo menos uma cigarrinha, ou quando for constatada a presença de cigarrinhas na armadilha adesiva amarela.
Em pomares em produção, a pulverização pode ser feita juntamente com o controle de outras pragas, diminuindo dessa maneira os custos da aplicação.
Em talhões com incidência da doença ou próximos a pomares com um grande número de plantas afetadas, pode-se adicionar inseticidas aos acaricidas que são utilizados, corriqueiramente para controle de ácaros, principalmente, nos períodos de grande pressão de praga (primavera/verão). Nos pomares com incidência da doença que estão próximos a pomares novos, pode ser feita a pulverização 30 m de borda para dentro do talhão velho.

  O controle das cigarrinhas deve ser estudado para evitar que o citricultor cause um desequilíbrio ecológico em seu pomar e induza o aparecimento de outras pragas. Por isso, as pulverizações não devem ser aéreas, em áreas totais ou ainda com produtos de ampla faixa de ação sem necessidade. É importante salientar que existem inimigos naturais nos pomares, que reduzem entre 15% a 40% a população das cigarrinhas. aplicação de inseticida via tronco
Aplicação via tronco
Quando escolher o método de controle não esqueça do manejo ecológico. O Fundecitrus mantém uma linha de pesquisa de inseticidas eficientes com menor grau de agressividade ao meio ambiente e formas de pulverização também menos agressivas.
O uso de inseticidas sistêmicos aplicados via tronco ou solo vem apresentando um bom controle das cigarrinhas com baixo impacto ao ambiente.

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