Doenças e Pragas

Cancro Cítrico

O cancro cítrico, causado pela bactéria Xanthomonas citri subsp. citri, afeta todas as espécies e variedades de citros de importância comercial. Com origem na Ásia, onde ocorre de forma endêmica em todos os países produtores, foi constatado pela primeira vez no Brasil em 1957, nos Estados de São Paulo e Paraná.

Os impactos desta doença estão relacionados à desfolha de plantas, à depreciação da qualidade da produção pela presença de lesões em frutos, à redução na produção pela queda prematura de frutos e à restrição da comercialização da produção para áreas livres da doença.

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Cancro Cítrico > Controle

A única forma de eliminar o cancro cítrico do pomar é por meio da erradicação de plantas. Pela lei estadual em vigor (Resolução SAA - 147, publicada em 1º de novembro de 2013, no Diário Oficial), passa-se a adotar eliminação da planta contaminada e pulverização com cobre das outras plantas cítricas existentes em um raio de 30 metros. A pulverização deve ser repetida a cada brotação. O citricultor deverá realizar, no mínimo, uma vistoria trimestral em todas as plantas de citros da propriedade com o objetivo de identificar e eliminar plantas que apresentem sintomas do cancro cítrico. Estas inspeções deverão ser informadas à Secretaria de Agricultura por meio de relatórios semestrais, assim como já faz para o greening (HLB). O prazo para a entrega dos relatórios de cancro cítrico também seguem os já estabelecidos para HLB: em 15 de julho, relativo às vistorias feitas entre 1º de janeiro e 30 de junho, propriedade comercial e por unidade de produção (UP) ou talhão; e outro até 15 de janeiro, relativo às vistorias feitas entre 1º de julho e 31 de dezembro. A Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) fará fiscalizações amostrais em propriedades comerciais para verificar as informações que constam no relatório semestral apresentado pelo produtor e também fica responsável por fiscalizar propriedades não comerciais, em áreas urbanas ou rurais, públicas ou privadas.

Para evitar que a doença entre no pomar, é preciso tomar algumas medidas de prevenção:

Inspeção – É a principal medida para manter os pomares livres de cancro cítrico. Realize inspeções em todas as plantas por pessoal treinado. Em propriedades ou pomares próximos aos locais onde a doença foi recentemente detectada é recomendado cuidado redobrado e a intensificação das inspeções (varias vezes ao ano). As inspeções para detecção do cancro cítrico devem ser mais lentas do que as adotadas para o controle do greening (HLB). Assim, cada inspetor deve vistoriar entre 150 e 700 plantas/dia nas inspeções para detecção do cancro cítrico, dependendo do histórico da doença no talhão, idade e altura das plantas. Quanto mais cedo o cancro cítrico for descoberto, menor será o prejuízo para o citricultor e seus vizinhos.

Aquisição de mudas sadias – Antes de comprar, certifique-se que o viveiro cumpre todas as recomendações da Secretaria de Agricultura e Abastecimento.

Cuidado com o material de colheita – Prefira usar material próprio de colheita, como escadas, caixas, sacolas e sacos-caixa. Se tiver que usar material de terceiros, faça a desinfestação antes: mergulhe o material em uma solução de um litro de amônia quaternária em mil litros de água. As escadas devem ser pulverizadas.

Plantio de quebra-ventos – Plante árvores de grande porte nas fronteiras da propriedade para evitar a ação do vento e da poeira sobre o pomar. Nos países e regiões onde o cancro cítrico não é erradicado, o uso de quebra-ventos é a principal medida de controle na redução das perdas de frutos com sintomas da doença. Cercas-vivas podem também auxiliar no controle do cancro cítrico, pois impedem ou dificultam a entrada de estranhos e animais na propriedade. Há diferença entre cercas-vivas e quebra-ventos. Estes últimos tem o objetivo de reduzir a velocidade do vento e caracterizam-se por serem barreiras porosas, mais altas que as plantas cítricas; as cercas-vivas são barreiras compactas e muitas vezes não são muitos metros mais altas que as plantas cítricas.

Controle do minador dos citros – O minador provoca ferimentos na planta, principalmente nas brotações, que servem de porta de entrada para a bactéria do cancro cítrico. Deve-se realizar o controle periódico deste inseto quando houver brotação nas plantas.

Uso de bactericida cúprico – A aplicação protetiva de cobre não previne a entrada da bactéria no pomar. Bactericidas à base de cobre são componentes essenciais do manejo integrado do cancro cítrico em áreas com ocorrência endêmica da doença por reduzir a quantidade de sintomas nas plantas e perdas na produção (queda de frutos). Em áreas onde o cancro cítrico encontra-se sob erradicação obrigatória, como o estado de São Paulo, as aplicações podem ser um fator de reforço somente em áreas ou partes da fazenda que tenham apresentado casos recentes da doença e sempre associado à inspeção de plantas e eliminação dos focos encontrados. O uso exclusivo de bactericidas cúpricos não impedirá a infecção de novas plantas e talhões e, consequentemente, o crescimento da doença. Os principais bactericidas cúpricos usados em áreas endêmicas são à base de oxicloreto de cobre e hidróxido de cobre. Nestas regiões as doses usualmente adotadas são de 50 a 90 gramas de cobre metálico por 100 litros de calda de aplicação.