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Pesquisador da Embrapa, que integra equipe do Fundecitrus, participa de visita técnica em pomares da Califórnia (EUA)

O pesquisador da Embrapa Eduardo Girardi, sediado no Fundecitrus, participou de visita técnica em pomares da Califórnia, nos Estados Unidos (EUA), no período de 9 a 18 de setembro. A visita foi realizada na região de Visalia, no Vale do São Joaquim, principal área produtora de citros do estado.

O foco da produção da região é o mercado de fruta fresca interno e de exportação. O clima é muito seco, sendo a irrigação usada nos 100 mil hectares cultivados com citros. A fonte principal da água de irrigação vem do degelo e há grande preocupação com sua escassez e uso eficiente.

As principais variedades cultivadas são as laranjas de Umbigo e Valência, porém vêm sendo substituídas por tangerinas como Tango e Gold Nugget, sem sementes, devido ao maior retorno econômico. Limões verdadeiros e Pomelos também são cultivados, mas em menor escala e o principal porta-enxerto utilizado na citricultura californiana é o citrange Carrizo, presente em 90% das combinações.

Diferente da Flórida, a agricultura da Califórnia é muito diversificada e os citros convivem com amêndoa, uva, frutas de caroço e diversos outros cultivos. Além da irrigação, há custos expressivos com a terra e com equipamentos semelhantes a ventiladores que são instalados nos pomares para prevenção de geadas. Os custos de produção são elevados, porém as frutas alcançam bons preços em função da alta qualidade, que por sua vez deriva de uso de variedades superiores, clima seco com grande amplitude térmica diária e intenso trabalho pós-colheita.

“Em termos de fitossanidade, a citricultura da Califórnia é beneficiada pela ausência de muitas pragas e doenças impactantes. As principais pragas são ácaros, tripes, esperança, cochonilha vermelha e o besouro rosado. Entre as doenças, aquelas causadas por vírus, viroides e bactérias são satisfatoriamente controladas pelo programa de limpeza clonal da Universidade da Califórnia. As plantas são limpas do vírus da tristeza e árvores doentes são erradicadas, o que ajuda a manter pomares saudáveis. Doenças que exigem medidas de controle na Califórnia incluem alternária, antracnose, mancha de septoria, gomose de Phytophthora spp. e podridão seca de raízes por Fusarium solani, além dos tratamentos em pós-colheita”, diz o pesquisador.

No entanto, esse cenário tranquilo está ameaçado pelo greening (HLB), uma vez que a doença foi identificada pela primeira vez na Califórnia, em 2012, e o psilídeo está presente em quase todo o estado. Desde a detecção da doença, 126 plantas foram identificadas como positivas e erradicadas, todas em pomares de quintal doméstico no sul do estado, na região de Los Angeles e Riverside. “O estado mantém um rigoroso sistema de vigilância, mantendo as regiões onde se encontram o inseto transmissor e as plantas infectadas sob quarentena. O controle biológico com Tamarixia radiata vem sendo realizado, e os citricultores são estimulados a controlar o psilídeo mesmo sem a doença estar presente em pomares comerciais”, conta Girardi.

Segundo o pesquisador, como as propriedades comerciais são médias e pequenas, menores de 200 ha, plantadas com outros cultivos e em zonas urbanas, com custos de produção muito altos, há grande preocupação com o impacto que o HLB pode causar à citricultura californiana. “Dos 45 milhões de árvores de citros que existem lá, estima-se que 15 milhões de árvores estão em quintas domésticos, o que poderá dificultar bastante o manejo integrado da doença. Por outro lado, o clima mais seco em que as plantas são manejadas com irrigação para brotar e florescer poderá favorecer o controle do vetor”, completa.