Técnico agrícola Moacir Celio Vizoni, há 29 anos no Fundecitrus, fala sobre ações contra o cancro cítrico e reconhecimento dos produtores

Os primeiros focos de cancro cítrico foram detectados no Brasil em 1957, em São Paulo e Paraná. O alto poder destrutivo da doença – que causa desfolha das plantas, lesões e queda prematura dos frutos, reduzindo a produção – e seu rápido alastramento exigiram ações imediatas do Estado. A primeira fase de combate ao cancro, chamada de emergencial, preconizava a erradicação dos pés de laranja doentes, conforme previa o Código Federal de Defesa Sanitária Vegetal.

Com o avanço dos estudos, a necessidade de levar informações e descobertas aos produtores e o contínuo esforço para conter o avanço da doença, o Ministério da Agricultura criou, em 1974, a Campanha Nacional de Erradicação de Cancro Cítrico (CANECC), por meio de decreto assinado pelo então presidente Ernesto Geisel. De acordo com o Artigo 2º, a CANECC tinha como finalidade “traçar normas da política de pesquisa e de combate, assim como estabelecer medidas de caráter técnico e administrativo, necessárias à sua implantação e desenvolvimento em todos os Estados da Federação contaminados ou suspeitos […] objetivando erradicá-la do território nacional”. 

Trabalho conjunto

No final da década de 1980, os recursos dos governos estaduais e federal para a CANECC, que eram predominantes, tornaram-se escassos e insuficientes. No final de 1989, o Fundecitrus finaliza o primeiro censo fitossanitário para o mapeamento do cancro cítrico, e em julho de 1990, assume papel decisivo na CANECC, ampliando consideravelmente sua contribuição financeira para a manutenção da campanha, fortalecendo ainda mais a parceria com o Estado.

Foi nessa época que um dos funcionários mais antigos do Fundecitrus, o técnico agrícola Moacir Celio Vizoni, atualmente membro do Departamento de Entomologia I, ingressou na instituição. Contratado em 1988, ele participou da realização do censo fitossanitário (até 1989) e posteriormente das ações da CANECC. “O objetivo do censo era, em um ano, fazer um levantamento nas plantas nas regiões com maior incidência da doença. Cidades, quintais, pastos, onde tivesse uma planta de citros a gente ia avaliar e fazer a inspeção de cancro. Na época, a gente [Fundecitrus] não erradicava”, explica. “O rigor e a disciplina do Fundecitrus conquistaram o produtor”, relembra.

Além dos recursos financeiros, a participação técnica e material do fundo permitiu a ampliação da área de atuação da CANECC. “O lado positivo, sem dúvida, eram os resultados que a gente via: a diminuição da contaminação e o reconhecimento do produtor”, recorda.

Tendo vivenciado de perto diversos momentos importantes da citricultura paulista e participado ativamente da construção da história do Fundecitrus, Vizoni diz que é recompensadora a sensação de ter contribuído para a continuidade e progresso dos citros. “Eu penso que de lá para cá, a gente conseguiu atingir o objetivo. Fui contratado para um ano e estou há 29 anos. Foram muitas dificuldades, mas o reconhecimento do produtor paga tudo”, afirma.