Em 1984, Fundecitrus cria campanha para a prevenção da doença, focada em levar orientações a toda a cadeia citrícola, complementando a atuação da Canecc.

Devido a uma violenta nevasca na Flórida (EUA) em 1983, o Brasil viu sua citricultura, composta por cerca de 150 milhões de plantas à época, sofrer intensa valorização nos anos seguintes e se tornar a maior do mundo na produção de laranja e exportação de sucos cítricos, além da terceira maior força econômica interna. No entanto, passados 26 anos da detecção de cancro cítrico no país, a doença ainda ameaçava os pomares brasileiros.

A Campanha Nacional de Erradicação de Cancro Cítrico (Canecc), apesar de atuante, não contava com recursos suficientes para inspecionar toda a zona citrícola com a rapidez necessária, e focos de cancro cítrico surgiam em municípios como Monte Alto, Cândido Rodrigues, Fernando Prestes, Taquaritinga – próximos de Bebedouro, a “capital da laranja” –, Monte Azul Paulista e Araraquara.

Neste cenário, de prosperidade ameaçada pelo cancro, o Fundecitrus cria a Campanha Estadual de Prevenção ao Cancro Cítrico (Ceprecc), com o objetivo de envolver produtores, comerciantes e industriais na luta contra a doença. Segundo o então coordenador estadual da campanha, Antonio de Siqueira Campos, “a Ceprecc foi criada para somar forças com a Canecc, pois devido ao intenso aumento da população de árvores cítricas em São Paulo nos últimos anos, estava aberta a porta à maior disseminação da doença e à recontaminação de localidades já erradicadas”.

Sob o lema “Todos deverão fazer um pouco para que poucos não precisem fazer tudo”, a Ceprecc realizava um trabalho essencialmente educativo, levando informação sobre o cancro e conscientizando sobre a importância da adoção de medidas de prevenção nas atividades diárias – como a doença é causada por uma bactéria, sua transmissão pode ocorrer pelo trânsito de pessoas, instrumentos e veículos de um pomar para outro.

A estrutura da Ceprecc contava com um coordenador estadual, em São José do Rio Preto, dois coordenadores regionais, em Ribeirão Preto e Campinas, e 19 engenheiros agrônomos, que visitavam os 18 mil citricultores de São Paulo e divulgavam as orientações por meio de palestras técnicas e artigos em jornais.

Seis meses de sucesso e novas metas

Após seis meses de atuação, o Fundecitrus comemorava os primeiros resultados: 60% dos citricultores do estado haviam sido visitados e orientados. Para 1985, novas metas: ênfase à assistência técnica aos citricultores, desenvolvendo também serviços de prevenção junto aos viveiristas de citros para a sanidade das mudas.

Equipe reforçada para levar conhecimento ao citricultor

Após um ano de atividade e colhendo bons frutos junto aos produtores, o Fundecitrus ampliou a equipe e ainda mais a atuação da Ceprecc: os agrônomos se tornam transmissores das novas tecnologias e passam a oferecer aos citricultores instruções sobre outras doenças e pragas, análise e conservação do solo, adubações e suporte para escolha de boas mudas e instalação racional de pomares.

Em outubro de 1989, o corpo técnico da Ceprecc era composto por 23 agrônomos, instalados em unidades da Secretaria da Agricultura ou em Núcleos Regionais do Fundecitrus, auxiliados por um coordenador e dois superiores sediados em Araraquara. As atividades foram complementadas com visitas às casas de embalagens, prefeituras, sindicatos e cooperativas, envolvendo toda a cadeia citrícola na conscientização sobre os perigos do cancro cítrico.